Bertrand.pt - A Mulher Misteriosa

A Mulher Misteriosa

de Piedade Araújo Sol 

Editor: Editorial Minerva de Lisboa
Edição ou reimpressão: junho de 2005
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PREFÁCIO
DE TE FABULA NARRATUR
"é de ti que trata esta história"
advertência a pessoa distraída, ou que se faz desentendida, que é dela que se fala
Horácio, Sátiras, 1,1,69-70

PIEDADE ARAÚJO SOL rompe com A MULHER MISTERIOSA a barreira da publicação em livro-papel, com dignidade e talento, juntando-se aos resistentes da fileira cultural e literária que ousam contrariar a banalização da vida, o amorfismo das emoções e o esquecimento dos sentimentos. De facto, escrever é hoje em dia um acto de insubmissão e amor, publicar um acto de coragem, maior que os praticados em qualquer estúpida guerra, apenas com paralelo na exposição pública definitiva de qualquer outra obra de arte ou acto de criação. Só por isto, a priori, endereço-lhe os meus parabéns e manifesto publicamente o meu reconhecimento com um imenso ‘muito obrigado’, por não se ter deixado seduzir pelo facilitismo de uma existência vegetativa, mastigando ordeira o que lhe apresentavam como bom, ou moda, ou importante e partilhando connosco a sua experiência e interioridade, como cidadã com vontade e ideias próprias que não abdicou de ter opinião e interferência, na sociedade cabisbaixa e desmoralizada que nos rodeia. Hoje, para a citar no seu texto «A VIDA», somos todos pela sua mão, um pouco mais «uma nuvem perdida na imensidão do céu a olhar a terra à procura de novos horizontes», daqueles horizontes que nos apontou, «e penso, afinal, estou viva e é tão bom viver». Assim podemos pensar todos, com a sua colaboração!

Mas publicar, além de penoso, não é só por si garantia de nada, nem o deve ser, não pode ser um objectivo, uma meta, mas antes um caminho. A atitude e as responsabilidades que um autor contrai são inúmeras e um livro é um filho, emergente de um projecto cultural de intervenção na vida que ainda tem que vencer o bloqueio da visibilidade e da acessibilidade. Como bem sabe a PIEDADE ARAÚJO SOL e como tão bem o descreve no conto «O Livro CONTOS ESPARSOS TOXICODEPENDÊNCIA», onde com muito interesse deu voz a um livro empilhado ao acaso numa estante de uma livraria «ontem esteve cá uma moça que me folheou, manteve-se atenta e leu uma parte. Pareceu-me ávida de conhecimentos, mas voltou a colocar-me na estante e retirou-se. Fiquei triste.../... Eu sei bem que não sou um brinquedo nem um romance célebre. Mas conto histórias sentidas, verdadeiras, escritas com tinta de sangue». Lutar é necessário. Apontar caminhos, alternativas, ajudar a sonhar e a aliviar vidas sufocadas por rotinas complicadas e tantas vezes esmagadoras, através de uma insistente intervenção cultural, também é necessário.

Tenho dirigido à autora as palavras acima, mas os destinatários são os leitores desta aventura que nos propõem em A MULHER MISTERIOSA. PIEDADE ARAÚJO SOL é uma lutadora apaixonada, tenaz e sensível, ela agora apenas se apresenta em livro-papel, mas toda uma sua obra numa atitude coerente de rebeldia e ‘gritos’ de alerta, em favor do humanismo, do amor e da interioridade, podem ser consultados em http://alternancia.no.sapo.pt nesse meio de divulgação, formação e informação por excelência, daqueles que recusam desistir, a ‘Internet’, onde podemos ler muitas dezenas de trabalhos seus, da poesia (para quando um livro?) ao conto à crónica etc. e assim conhecer melhor uma autora e mulher que ‘vale a pena’.

Longe de ser uma erupção isolada, existe atitude, autenticidade, interioridade e coerência, na obra da autora, como se podia esperar de uma escritora madeirense, como se a insularidade fosse sinónimo de espiritualidade e sensibilidade. Mas sobre este livro agora apresentado, o prefaciador não escreve, não analisa? Assim devem-se estar a interrogar todos os que conseguiram ler estas linhas fastidiosas e já longas, os leitores, a autora, os editores (estes com dupla angústia: "Querem ver que depois de semanas de atraso, fala em textos apresentados noutro sitio e nem sequer um prefácio decente fez sobre o nosso livro???...").

A todos e especialmente aos críticos literários (EXISTEM?!) respondo, se desejam um prefácio, texto ou opinião, academicamente inatacáveis, não o esperem nunca deste vosso amigo que assina em baixo e socorrendo-me de MESTRE ALMADA NEGREIROS citando o seu fabuloso MANIFESTO ANTI-DANTAS E POR EXTENSO vos digo que antes pouco canónico que sem chama e sem paixão como o Dantas que «saberá grammatica, saberá syntaxe .../... saberá tudo, menos escrever que é a única coisa que elle faz». Analisar ou dissecar uma qualquer obra de arte, acto de criação, livro etc, é em minha opinião, da competência dos deuses, opinar sobre ela uma atitude de cidadania. JÚLIO ROBERTO diz mais ou menos assim, com muita graça, "pobres daqueles que para admirarem uma flor, podendo-a contemplar, usufruir do seu perfume, admirar a sua harmonia e cor, num ambiente específico, preferem analisar separando raízes, caule, pétalas, etc, sem perceberem que destruíram a beleza e que o todo é muito mais que a soma das partes", a autora alinha no mesmo sentido, ao escrever em «PARADOXO», «Tento pintar os locais, mas as tintas espalham-se na tela, e não consigo nem uma paleta de cores que façam sentido, pois não consigo retractar a beleza que guardo aqui na retina dos meus olhos». Mas a minha opinião sincera também não posso deixar de a apresentar, em consciência, como leitor e por ter sido convidado a tal.

A MULHER MISTERIOSA de PIEDADE ARAÚJO SOL, é um livro ternurento que nos envolve num festival de paixão e emoções, devolvendo e convidando à tão humana capacidade de SENTIR, a seres que dela andem arredados, distraídos, ou demasiado envolvidos. Da epopeia de um grande romance à tragédia dos acontecimentos, de uma história que se advinha a um final (?) alucinante e de todo inesperado, a autora brindou-nos com uma dádiva de sensações e aventuras, quer no detalhe e pormenor, quer nas grandes linhas e discurso narrativo, servindo-nos toda essa rica paleta de contrastes com uma elegância e técnica de escrita só ao alcance de quem, como se diz na gíria, tem ‘a mão feita’ e aloja na sua alma e coração, uma dignidade, generosidade, interioridade e intimidade, fascinantes e irreprimíveis que visam através da palavra, compartilhar, auxiliar, desbravar, em tons solidários consigo e com os outros. Ninguém pode (des)escrever o que não tem dentro de si, como não pode deixar de o fazer, pela escrita ou outra forma de criação, quando em si abunda riqueza interior e necessidade de a partilhar.

No panorama editorial e sociológico do mundo (português também) da primeira década do século XXI, uma questão parece dominar e fascinar o meio literário, é ou não ‘light’? Quando me convidaram a escrever este prefácio, troquei ‘tertuliando’ opiniões com amigos e de imediato a ‘questão’ foi levantada. Por pensar que hoje em dia conhecemos muito pouco e rotulamos muito, respondo sempre, " estás a falar de mim? Não, não sou ‘light’ sou bem ‘heavy’, nestes meus 110 Kg...", se estás a falar do livro, recomendo que o compres, leias com atenção e também seria interessante pesquisares o trabalho da autora, para em vez de me interrogares, formares opinião própria. Pessoalmente, mesmo assumindo como bom o adjectivo (o que não me é nada pacífico), não me senti ‘leve’ depois de ler este livro, pelo contrário senti que a narrativa me envolvia com mestria e me fazia sentir com o coração, ora o ‘gerente da editora’ ora a sua ‘esposa’, ora ainda a ‘escritora’, no final «levantei-me vagarosamente e dirigi-me para o carro.../... enxutas as lágrimas e digerido o desespero, num mar de ideias e sentimentos contraditórios, disse de mim para mim: - Pois não... Isto não está resolvido... Isto só agora começou...»

Obrigado PIEDADE ARAÚJO SOL, por ser como é e por ter partilhado connosco a sua alma e obra. Agora está na nossa mão comunicar consigo através da partilha de interioridade e leitura do seu livro-filho A MULHER MISTERIOSA. Espero que tenha sorte e que muitos leitores comunguem na aventura que nos oferece, um pouco mais de humanidade e sentimento, com o mesmo espírito com que a (des)escreveu. Desejando-lhe que dobre o ‘Cabo da Visibilidade’ e se saia tão bem como quando dobrou os ‘Cabos da Escrita e da Publicação’. Até sempre e como refere em A RECORDAÇÃO, «vou fumar mais um cigarro, só mais um...»

Von Trina
suicidário - literário

A Mulher Misteriosa
ISBN: 9789725916292 Ano de edição ou reimpressão: Editor: Editorial Minerva de Lisboa Idioma: Português Dimensões: 135 x 210 x 5 mm Encadernação: Capa mole Páginas: 48 Tipo de Produto: Livro Classificação Temática: Livros  >  Livros em Português  >  Literatura  >  Contos
Livros  >  Livros em Português  >  Literatura  >  Literatura Erótica

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