Barcelona, 1909. Todas as noites, no Teatro
Soriano, Nonnita executa o seu número de variedades
nadando praticamente nua com uma foca.
O italiano por quem se apaixonou e de quem
espera um filho, desapareceu de repente sem deixar
rasto; e, todas as noites, no regresso a casa,
os seus mortos vêm consolá-la e dar-lhe forças.
Mas a cidade está a sofrer uma transformação
radical, com demolições em massa no seu bairro
e bombas anarquistas que todos os dias fazem ir
qualquer coisa pelos ares; e Nonnita está a ficar
cansada de lutar… Eis senão quando aparece
no teatro Demi Gambús, o sucessor de uma longa
linhagem de ladrões de casaca, para assistir ao
espectáculo. Será que Nonnita lhe vai conseguir
cobrar a felicidade que um dia ele lhe roubou?
Na linha de A Sombra do Vento, este é um
romance admirável de amor e ódio, dúvida e descoberta,
esperança e desforra. Na Barcelona primorosamente
recriada por Lluís-Anton Baulenas,
circulam saltimbancos, oportunistas, activistas políticos
e jovens que saíram das aldeias em busca
da sobrevivência na cidade grande, cujas pequenas
histórias anónimas constroem, afinal, a História
com H grande. E, à medida que as páginas
vão avançando - como referiu o jornal El País -,
o leitor consegue sentir a ilusão de que, sim, agora
é feliz.