Repercussão - Gastão Cruz
Edição/reimpressão:
2004
Páginas:
80
Editor:
Assírio & Alvim
ISBN:
978-972-37-0904-9
Idioma:
Português
10%
€11,00
Ganhe €1,1
Em stock - Envio imediato
 

Sinopse

«Repercussão» é o novo livro do poeta Gastão Cruz, a cuja obra anterior, «Rua de Portugal», foi recentemente atribuído o Grande Prémio de Poesia APE/CTT. Gastão Cruz tem uma vasta obra literária publicada e vários prémios.
Repercussão de Gastão Cruz
Excerto
Não a primavera interior, interdita, a da casa, nascendo dentro, entrando para as ruas, memórias breves, marcas eternas subitamente extintas, dissolvendo a parte fechada dos parques, absorvendo os narcisos, em infernos exíguos, agora antigos, não a primavera definida pelos aromas fixos, de interpretação impossível, a não ser na mutação dos corpos, no conhecimento das ínfimas estrias, no futuro então explícito, nas ruas de colunas ondulando ao ar frio, não essa primavera tardia, no futuro retida, mas a revelação revista, a sucessão das ondas, como quando a primeira primavera sobre o corpo corria.

Não a primavera interior, interdita, a da casa, nascendo dentro, entrando para as ruas, memórias breves, marcas eternas subitamente extintas, dissolvendo a parte fechada dos parques, absorvendo os narcisos, em infernos exíguos, agora antigos, não a primavera definida pelos aromas fixos, de interpretação impossível, a não ser na mutação dos corpos, no conhecimento das ínfimas estrias, no futuro então explícito, nas ruas de colunas ondulando ao ar frio, não essa primavera tardia, no futuro retida, mas a revelação revista, a sucessão das ondas, como quando a primeira primavera sobre o corpo corria.


Críticas de imprensa
"[...] a verdadeira matriz da poesia de Gastão Cruz foi sempre a memória que nimba como uma aura o que é representado e imobiliza na imagem o curso do mundo. A imagem é o eco, o ritornelo da escrita, o que se liberta do fugaz e do transitório, fixando e desfigurando tudo aquilo em que toca. Assim entendida, a imagem não é uma forma, no sentido clássico, mas uma energia metamórfica, como as aves que aqui regressam sempre diferentes; ou como o som que se repercute mas não se extingue e, desta maneira, traz a memória do começo: repercussão da morte percutiva."
António Guerreiro, Expresso, Actual

"Repercussão divide-se, em partes quase iguais, entre a dita abertura a um biografismo vigiado e não confessional e uma poética in progress, mas sempre centrada na alusão e no labor do verso. Os únicos poemas que porventura não alcançam a mestria que encontramos noutros livros são os que focam uma espécie de erótica do abandono e uma evocação da morte e dos mortos. Mesmo porque As Pedras Negras (1995) é um marco difícil de superar. Tomemos este excelente exemplo do modo como o poeta pega numa "Velha Imagem" (assim se chama o poema) e em quatro versos evoca a memória no mesmo passo que o próprio mecanismo da memória: "Peso do céu que nunca dirá nada / como um golfo de morte um poço / em que não entra o balde que na casa / cortava outrora a escuridão da água" (pág. 11). A linguagem, extremamente condensada, toma essa imagem do balde que (não) entra no poço e recupera uma imagem, mas também uma impossibilidade e uma "escuridão" que é a escuridão do irrecuperável. Noutros momentos, Gastão Cruz alonga-se um pouco mais, não sem algum virtuosismo. Aqui se enuncia o trânsito impuro desta colectânea: "Releio poemas mudo-os de lugar / no livro que crescendo devagar / me exaspera, por vezes um poema / faz-me crer que prendi acaso o tema // quer ao som das palavras quer ao mundo / outros talvez como este nem ao menos / chegam ao fim ou terminados caem / no limbo conhecido de múltiplas esperas // e é o mesmo mundo que me inspira / que de dizer me impede os sons precisos / dia após dia até que (por fim ditos / os segredos no vácuo do silêncio // tanto tempo retidos, o amor / que da vida nunca se solta e é isso / que o torna algumas vezes impossível)/ a espera recomeça em novos limbos" (pág. 27)."
Pedro Mexia, Diário de Notícias

comentários

Coloque aqui o seu comentário - Repercussão
Nome:
Título do comentário
Comentário
 
 
 
 
 
* campos de preenchimento obrigatório
 

Autor


Poeta e ensaísta português, Gastão Cruz nasceu em 1941, na cidade de Faro, no Algarve, e licenciou-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em Filologia Germânica.
Professor do ensino secundário, o autor exerceu paralelamente, entre 1980 e 1986, a carreira de leitor de Português no King's College de Londres e dirigiu, nos anos 70 a 90, após a morte de Carlos Ferreira, o grupo de teatro Teatro Hoje/Teatro da Graça que ajudou a fundar.
O gosto pelo teatro e pelo mundo da poesia "empurra-o" para a tradução de títulos dramáticos de, entre outros autores, Strindberg, Shakespeare (Conto de Inverno) e Cocteau e para a organização de recitais dramatizados que proporcionam uma intensa divulgação poética.
Ainda muito jovem, com apenas 19 anos, Gastão Cruz, manifestando já um grande apego pelo texto poético, publica o seu primeiro livro, (...)

Bibliografia

2017
Assírio & Alvim
2015
Assírio & Alvim
2013
Assírio & Alvim
2011
Assírio & Alvim
2010
Assírio & Alvim
2009
Assírio & Alvim
2009
Assírio & Alvim

Características

Repercussão de Gastão Cruz

Ano de edição ou reimpressão: 2004

Editor: Assírio & Alvim

Idioma: Português

Dimensões: 146 x 205 x 7 mm

Encadernação: Capa mole

Páginas: 80


Tipo de Produto: Livro

Classificação Temática:

Livros em Português
Literatura > Poesia


Repercussão
 
António Guerreiro, Expresso, Actual

"Repercussão divide-se, em partes quase iguais, entre a dita abertura a um biografismo vigiado e não confessional e uma poética in progress, mas sempre centrada na alusão e no labor do verso. Os únicos poemas que porventura não alcançam a mestria que encontramos noutros livros são os que focam uma espécie de erótica do abandono e uma evocação da morte e dos mortos. Mesmo porque As Pedras Negras (1995) é um marco difícil de superar. Tomemos este excelente exemplo do modo como o poeta pega numa "Velha Imagem" (assim se chama o poema) e em quatro versos evoca a memória no mesmo passo que o próprio mecanismo da memória: "Peso do céu que nunca dirá nada / como um golfo de morte um poço / em que não entra o balde que na casa / cortava outrora a escuridão da água" (pág. 11). A linguagem, extremamente condensada, toma essa imagem do balde que (não) entra no poço e recupera uma imagem, mas também uma impossibilidade e uma "escuridão" que é a escuridão do irrecuperável. Noutros momentos, Gastão Cruz alonga-se um pouco mais, não sem algum virtuosismo. Aqui se enuncia o trânsito impuro desta colectânea: "Releio poemas mudo-os de lugar / no livro que crescendo devagar / me exaspera, por vezes um poema / faz-me crer que prendi acaso o tema // quer ao som das palavras quer ao mundo / outros talvez como este nem ao menos / chegam ao fim ou terminados caem / no limbo conhecido de múltiplas esperas // e é o mesmo mundo que me inspira / que de dizer me impede os sons precisos / dia após dia até que (por fim ditos / os segredos no vácuo do silêncio // tanto tempo retidos, o amor / que da vida nunca se solta e é isso / que o torna algumas vezes impossível)/ a espera recomeça em novos limbos" (pág. 27)."
Pedro Mexia, Diário de Notícias «Repercussão» é o novo livro do poeta Gastão Cruz, a cuja obra anterior, «Rua de Portugal», foi recentemente atribuído o Grande Prémio de Poe..." />

Do mesmo autor

Gastão Cruz 
Gastão Cruz 
Gastão Cruz 

Veja outros titulos do tema

Daniel Jonas 
antologia poética
Rui Costa 
Eugénio de Andrade 
Preços, descontos e ofertas válidos apenas online
|   Condições gerais de venda   |   Compras 100% seguras   |   Política de Privacidade   |   Ajuda    |   Recrutamento   |
©2013 Grupo Bertrand Círculo. Todos os direitos reservados, Lisboa, Portugal