Morte Água
Edição/reimpressão:
1999
Páginas:
84
Editor:
Campo das Letras
ISBN:
9789726101918
Idioma:
Português
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Sinopse

Excerto
"Mentimos sempre sobre o tempo passado. Aqui, junto ao rio, bebo numa esplanada uma água fria e contemplo as aves. É falso. Mal chego a olhá-las, elas chegam e partem meticulosas, luxuosas, e a ilusão da imobilidade, a brisa leve, a luz que me humedece os olhos deixam-me a convicção de que as vi. Elas estiveram ali, decerto ainda estão.
Se eu disser ‘esse, que tomas as palavras, ou que é tomado por elas, não sou eu’, estou a afirmar um facto de fácil demonstração.
Tenho desses dias distantes uma impressão que resiste, que é um vinco. Não posso chamar-lhe decepção. Talvez enfado, o enfado estranhamente mesclado à furtiva culpa da sua persistência, da sua duração. Agora vou beber água e bebo.
Lembro sol e pó. Foi num Junho inclemente que realizei a maior parte da investigação. Estou sentado num pequeno muro a desmoronar-se, tirei uma laranja da árvore a que me acolhi e espero impaciente que me abram mais uma porta, depois de ter percorrido os antigos caminhos.
Lembro as cigarras.
Demorarão a abrir-me a porta. Uns olhos brilham no interior de sombra, mas é-me impossível saber a quem pertenciam. Talvez fossem de uma mulher. Uma mulher precocemente envelhecida?"

"Mentimos sempre sobre o tempo passado. Aqui, junto ao rio, bebo numa esplanada uma água fria e contemplo as aves. É falso. Mal chego a olhá-las, elas chegam e partem meticulosas, luxuosas, e a ilusão da imobilidade, a brisa leve, a luz que me humedece os olhos deixam-me a convicção de que as vi. Elas estiveram ali, decerto ainda estão.
Se eu disser ‘esse, que tomas as palavras, ou que é tomado por elas, não sou eu’, estou a afirmar um facto de fácil demonstração.
Tenho desses dias distantes uma impressão que resiste, que é um vinco. Não posso chamar-lhe decepção. Talvez enfado, o enfado estranhamente mesclado à furtiva culpa da sua persistência, da sua duração. Agora vou beber água e bebo.
Lembro sol e pó. Foi num Junho inclemente que realizei a maior parte da investigação. Estou sentado num pequeno muro a desmoronar-se, tirei uma laranja da árvore a que me acolhi e espero impaciente que me abram mais uma porta, depois de ter percorrido os antigos caminhos.
Lembro as cigarras.
Demorarão a abrir-me a porta. Uns olhos brilham no interior de sombra, mas é-me impossível saber a quem pertenciam. Talvez fossem de uma mulher. Uma mulher precocemente envelhecida?"

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Características

Morte Água

Ano de edição ou reimpressão: 1999

Editor: Campo das Letras

Idioma: Português

Dimensões: 150 x 207 mm

Páginas: 84

Coleção: Instantes de Leitura


Tipo de Produto: Livro

Classificação Temática:

Livros em Português
Literatura > Romance


Morte Água
 

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