Quem é o cavalheiro ladrão Arsène Lupin?

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2021-04-01 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Maurice Leblanc

Maurice Leblanc

Maurice Leblanc (1864-1941), escritor e jornalista francês, era filho de um armador naval. Teve a possibilidade de estudar em França, na Alemanha e em Itália, mas interrompeu o curso de Direito com a intenção de se tornar escritor. Trabalhou durante algum tempo na empresa da família, até conseguir estabelecer-se como repórter criminal em jornais como o L'Écho de Paris. Embora seja autor de mais de cinquenta títulos, Leblanc ficará para sempre imortalizado pela criação do fantástico Arsène Lupin, o cavalheiro ladrão das aventuras mais lidas do seu tempo.

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Isto é a democracia

Em 2005, o escritor David Foster Wallace iniciou o discurso que dirigiu aos finalistas de uma instituição universitária no Ohio, intitulado “Isto é a água”, com a seguinte parábola: “Dois jovens peixes estão a nadar juntos e cruzam-se com um peixe mais velho nadando em sentido contrário, que lhes acena e pergunta: — 'Bom dia, rapazes. Que tal está a água?' Os dois peixes jovens nadam um pouco mais até que se entreolham e um deles diz: 'Que diabo é a água?'”1. Ser-me-ia fácil gracejar, substituir os jovens peixes por ministros ou deputados… mas não pretendo aqui passar por peixe velho ou por peixe sábio — estou, ainda assim, mais distante deste que daquele. O sentido da história dos peixes, como esclarece Wallace, é este: as realidades mais óbvias e importantes são frequentemente mais difíceis de descortinar e debater. Acredito que o mesmo se passa com a cultura e, sobretudo, com a nossa democracia.

No início do século XX, após o sucesso de um reputado investigador britânico, conhecido pelo seu intelecto invulgar e propensão para resolver qualquer crime, nasce um ladrão em plena belle époque francesa, capaz de roubar qualquer coisa e disposto a fazer frente a esse nome já tão conhecido: Sherlock Holmes – ou será antes Herlock Sholmes? Arsène Lupin é o irreverente protagonista criado pelo autor Maurice Leblanc, encarado como a resposta francesa aos livros de Arthur Conan Doyle

Lupin acabou por sair das sombras de Holmes, assumindo a sua própria identidade enquanto cavalheiro ladrão. Hoje, a obra de Leblanc é considerada um clássico da literatura policial, com várias adaptações ao cinema e à televisão. A mais recente, da Netflix, veio reavivar esta imagem do ladrão, pronto a atuar nas ruas da França tal como a conhecemos hoje. Passam-se os anos e reinventam-se as épocas, mas a imagem de Lupin mantém-se intacta, declarando para quem o quiser ouvir: “Dommage, tout de même, de ne pas être un honnête homme.”*

 

* "Que pena, mesmo assim, não ser um homem honesto."


 

Capa do livro Arsène Lupin vs. Sherlock Holmes, em formato áudio, narrado por B. J. Harrison.

 

O gentleman thief da literatura policial francesa

Protagonistas como Arsène Lupin, de Maurice Leblanc, ou Raffles, de E. W. Hornug, vieram mudar os padrões de consumo dos leitores. Lembrando a figura lendária de Robin Hood, mas com a elegância estoica de um verdadeiro cavalheiro, estes antagonistas fizeram-nos começar a torcer pelo ladrão – esse que, numa outra narrativa, poderia facilmente ser visto como um vilão, mas que, a partir de um novo olhar, é agora o herói que o leitor apoia até ao fim. 

Sedutor, carismático, e divertido, Arsène Lupin é o responsável por uma série de crimes misteriosos em França. O seu modus operandi, contudo, é bem conhecido: ridicularizar a burguesia, atormentar os seus oponentes – em especial, o previsível inspetor Ganimard – e ajudar os mais fracos, sempre que possível. Muito mais do que um simples ladrão, Lupin é um homem perspicaz e um brilhante detetive, características escondidas na pele de um aristocrata com espírito de anarquista. 

Em Arsène Lupin, Cavalheiro Ladrão, são-nos narradas as primeiras nove aventuras deste gentleman thief (cavalheiro ladrão), situadas no auge parisiense da época, num clima de efervescência cultural e diversão que marcam a vida cosmopolita da altura. Esta obra foi publicada originalmente em 1907 e inclui, entre outros, o episódio/caso do roubo do colar que pertenceu à rainha Marie Antoinette. Lupin tinha apenas seis anos quando roubou le collier de la reine, dando início a uma carreira precoce, mas vitoriosa, na arte do roubo. 

Maurice Leblanc escreveu mais de quarenta contos e romances protagonizados por Lupin, conhecido como a contraparte irónica de Sherlock Holmes. O cavalheiro ladrão e o investigador inglês pouco têm em comum, para além da inteligência e perspicácia, mas é no crime que as semelhanças juntam estas duas figuras. Arsène Lupin contra Herlock Sholmes foi a forma de Leblanc mostrar como funcionaria esta rivalidade na ficção (o trocadilho foi propositado, a pedido de Arthur Conan Doyle, por uma questão de direitos de autor). 

 

 
Quem é o Lupin dos tempos modernos?

Lupin é a mais recente produção do serviço de streaming Netflix, ideal para fãs da série Casa de Papel ou do filme Ocean’s Eleven. Inspirada nos livros de Leblanc, a série reinventa a imagem do cavalheiro ladrão a que já estávamos habituados. Assane Diop, personagem principal interpretada por Omar Sy, decide vingar-se do homem que estragou a vida do pai, 25 anos antes, inspirando-se nas histórias de Arsène Lupin para cometer vários crimes e fazer justiça pelas suas próprias mãos.  

Não sendo uma adaptação direta dos livros, é interessante perceber de que forma Assane se inspira em Arsène, não apenas na construção dos roubos, mas também nos maneirismos e no perfil elegante e sedutor que apresenta. 

 

 

Após o sucesso da primeira temporada, os produtores já anunciaram a segunda parte. O ladrão francês dos tempos modernos volta este verão aos nossos ecrãs. 

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