Prémio Camões 2021 | Quem é Paulina Chiziane?

Por: Beatriz Sertório a 2021-10-21 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Paulina Chiziane

Paulina Chiziane

Paulina Chiziane nasceu em Manjacaze, Moçambique, em 1955. Estudou Linguística em Maputo, mas não concluiu o curso. Atualmente vive e trabalha na Zambézia. Ficcionista, publicou vários contos na imprensa (Domingo, na «Página Literária», e na revista Tempo). Publicou o seu primeiro romance, Balada de Amor ao Vento, depois da independência (1990), que é também o primeiro romance de uma mulher moçambicana. Ventos do Apocalipse, concluído em 1991, saiu em Maputo em 1995 como edição da autora e foi publicado pela Caminho em 1999. O Sétimo Juramento e Niketche foram publicados em Portugal em 2000 e 2002, respetivamente. Afirma: «Dizem que sou romancista e que fui a primeira mulher moçambicana a escrever um romance, mas eu afirmo: sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte.».
Em 2014, foi agraciada pelo Estado português com o grau de Grande Oficial da Ordem Infante D. Henrique. Em 2021, recebeu o mais prestigiado galardão das letras lusófonas, o Prémio Camões.

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Após decisão unânime, Paulina Chiziane foi anunciada, no passado dia 20 de outubro, como a mais recente vencedora do Prémio Camões. Sucede assim Vítor Aguiar e Silva, o vencedor da edição de 2020, e outros grandes nomes da literatura lusófona, como José SaramagoSophia de Mello Breyner António Lobo Antunes. Mas quem é Paulina Chiziane?


A primeira romancista moçambicana

Nascida em Moçambique em 1955, Chiziane começou a escrever contos aos 29 anos, por influência do seu avô. Esta inclinação literária surge após ter participado ativamente na cena política de Moçambique, como membro da Frelimo. Após o rompimento com a política, passa a dedicar-se em exclusivo à literatura, tendo publicado vários dos seus contos na imprensa moçambicana, em publicações como a Página Literária e a revista Tempo.

Em 1990, arrisca nova mudança de registo ao tornar-se na primeira mulher moçambicana a publicar um romance: Balada de Amor ao Vento. Contudo, é como "contadora de estórias" que se assume, tendo afirmado:

 

“Sou contadora de estórias e não romancista. Escrevo livros com muitas estórias, estórias grandes e pequenas. Inspiro-me nos contos à volta da fogueira, minha primeira escola de arte.”

 

Estórias sobre amor, a mulher e África

Depois de Balada de Amor ao Vento, já escreveu mais nove romances, tendo sido com Niketche: Uma História de Poligamia, publicado em 2002, que alcançou maior sucesso. Neste romance, relata a vida de uma mulher, Rami, que após descobrir que o marido tem mais quatro mulheres resolve procurá-las. Nele, Chiziane faz um apelo às mulheres para se unirem e se tornarem independentes, mensagem que lhe valeu o Prémio José Craveirinha de Literatura, em 2003. Em 2014, foi agraciada pelo Estado português com o grau de Grande Oficial da Ordem Infante D. Henrique, como forma de reconhecimento do mérito e obra da autora, tendo aproveitado para dedicar a distinção às heroínas das suas histórias - as mulheres moçambicanas.  No discurso de aceitação, declarou:

 

“Quero encorajar o meu povo, as mulheres da minha terra: por muito difícil que as condições sejam, caminhem descalços e vençam”.

 

O primeiro Prémio Camões para uma mulher africana

2021 trouxe a Chiziane uma nova distinção, tendo sido a primeira mulher africana de sempre a vencer o Prémio Camões, e a sétima mulher a quem foi concedida esta distinção, que conta já com 33 edições. Sobre o reconhecimento, afirmou a autora com manifesta alegria: "Não contava com isso. Recebi a notícia e disse: 'Meu Deus! Eu já não contava com essas coisas bonitas!' É muito bom. Esse prémio é resultado de muita luta. Não foi fácil começar a publicar sendo mulher e negra. Depois de tantas lutas, quando achei que já estava tudo acabado, vem esse prémio. O que eu posso dizer? É uma grande alegria." Também o seu editor, Zeferino Coelho (Editorial Caminho), manifestou a sua satisfação perante a notícia, tendo confessado: "Já recebi alguns telefonemas destes, em anos anteriores, mas este foi o que me deixou mais feliz".

 

"Em primeiro lugar eu escrevo para existir, eu escrevo para mim. Eu existo no mundo e a minha existência repete-se nas outras pessoas."  — Paulina Chiziane

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