O que lia Vincent Van Gogh?

Por: Sónia Rodrigues Pinto a 2020-03-30 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Émile Zola

Romancista, crítico e ativista político francês (1840-1902). Teórico do Naturalismo, considerado um dos romancistas mais importantes do séc. XIX.

VER +
William Shakespeare

William Shakespeare

Poeta e dramaturgo inglês nascido em 1564, em Stratford-Upon-Avon, e falecido em 1616. O seu aniversário é comemorado a 23 de abril e sabe-se que foi batizado a 26 de abril de 1564. Stratford-Upon-Avon era então uma próspera cidade mercantil, uma das mais importantes do condado de Warwickshire. O seu pai, John Shakespeare, era um comerciante bem sucedido e membro do conselho municipal. A mãe, Mary Arden, pertencia a uma das mais notáveis famílias de Warwickshire. Shakespeare frequentou o liceu de Stratford, onde os filhos dos comerciantes da região aprendiam Grego e Latim e recebiam uma educação apropriada à classe média a que pertenciam. São conhecidos poucos factos da vida de Shakespeare entre a altura em que deixou o liceu e o seu aparecimento em Londres como ator e dramaturgo por volta de 1599. Em 1582 casou com Anne Hathaway, oito anos mais velha do que ele, e o casal teve três filhos: Suzanna (nascida em 1583), e os gémeos Hamnet e Judith (nascidos em 1585). A primeira referência a Shakespeare como ator e dramaturgo encontra-se em A Groatsworth of Wit (1592), um folheto autobiográfico da autoria do dramaturgo londrino Robert Greene, onde o escritor é acusado de plágio. Nesta altura Shakespeare era já conhecido em Londres, embora não se saiba com exatidão a data do seu aparecimento na capital. Em virtude do encerramento dos teatros londrinos entre 1592-94, Shakespeare compôs nessa época dois poemas narrativos: Venus and Adonis (publicado em 1593) e The Rape of Lucrece (publicado em 1594). No inverno de 1594 integrou a mais importante companhia de teatro isabelina, The Lord Chamberlain's Men, onde permaneceu até ao final da sua carreira. A companhia deveu à popularidade de Shakespeare o seu lugar privilegiado entre as restantes companhias de teatro até ao encerramento dos teatros pelo Parlamento inglês em 1642. Em 1598 foi inaugurado o Globe Theatre, o teatro da companhia a que Shakespeare se associara, construído pelo ator e empresário Richard Burbage no bairro de Southwark, na margem sul do Tamisa. Depois da ascensão ao trono de Jaime I (em 1603) a companhia The Lord Chamberlain's Men passou para a tutela real, e o seu nome foi alterado para The King's Men. A passagem de Shakespeare pelos palcos associa-se a breves desempenhos: Adam na peça As You Like It e o fantasma (Ghost) em Hamlet. Depois de ter comprado algumas propriedades em Strattford, Shakespeare retirou-se para a sua terra natal em 1610, mantendo todavia o contacto com Londres. O Globe Theatre foi destruído pelo fogo no dia 23 de junho de 1613, durante uma representação da peça Henry VIII. Além de uma coleção de sonetos e de alguns poemas épicos, Shakespeare escreveu exclusivamente para o teatro. As suas 37 peças dividem-se geralmente em três categorias: comédias, dramas históricos e tragédias. Entre os dramas históricos, género que primeiro cultivou, destacam-se Richard III (Ricardo III), Richard II (Ricardo II) e Henry IV (Henrique IV). Entre as suas comédias contam-se Love's Labour's Lost, The Comedy of Errors, The Taming of the Shrew, a comédia de intenção séria The Merchant of Venice (O Mercador de Veneza), As You Like It (Como Quiserem) e A Midsummer Night's Dream (Um Sonho de Uma Noite de Verão). A tragédia não é uma forma que pertença exclusivamente a um determinado período na evolução da obra de Shakespeare. Sob influência de Marlowe, a forma de tragédia já se encontrava nas peças que dramatizavam episódios da História inglesa. Em Romeo and Juliet (Romeu e Julieta) e Julius Caesar (Júlio César) Shakespeare combinou a perspetiva histórica com uma interpretação trágica dos conflitos humanos. O período em que Shakespeare escreveu as suas grandes tragédias iniciou-se com Hamlet, escrita entre 1600-1602, a que se seguiram Othelo, Macbeth, King Lear, Anthony and Cleopatra e Coriolanus, todas elas compostas entre 1601 e 1608. Na última fase da carreira de Shakespeare situam-se as peças de tom mais ligeiro: Cymbeline, The Winter's Tale e The Thempest. Parte das obras de Shakespeare foram publicadas durante a vida do autor, por vezes em edições pirateadas, mas só em 1623 apareceu a edição "Fólio", compilada por John Heminges e Henry Condell, dois atores que tinham trabalhado com Shakespeare. No século XVIII as peças foram publicadas por Alexander Pope (em 1725 e 1728) e Samuel Johnson (em 1765), mas só com o Romantismo se compreendeu a profundidade e extensão do génio de Shakespeare. No século XX reforçou-se a tendência para considerar a obra de Shakespeare integrada nos contextos dramáticos que a suscitaram.

VER +
Charles Dickens

Charles Dickens

Romancista inglês nascido em 1812. Publicou obras em que denunciava a vida difícil do operário na sociedade industrial emergente (como Grandes Esperanças e Tempos Difíceis) e, em particular, a miséria das classes sociais mais baixas e a precaridade da infância (em Oliver Twist, especialmente). Escreveu também um muito popular Conto de Natal. Morreu em 1870.

VER +
Victor Hugo

Victor Hugo

Victor Hugo (1802 -1885) foi um romancista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista pelos direitos humanos francês de grande atuação política no seu país. Autor dos romances, "Os Miseráveis", "O Homem que Ri", "O Corcunda de Notre-Dame", "Cantos do Crepúsculo", entre outras obras célebres. Grande representante do Romantismo, foi eleito para a Academia Francesa.

VER +
Honoré de Balzac

Honoré de Balzac

Escritor francês, nasceu a 20 de maio de 1799, em Tours, e morreu a 18 de agosto de 1850, na Rua Fortunée (hoje Rua de Balzac), em Paris. Quando Balzac nasceu, o pai tinha 53 anos e a mãe 21. Foi mandado para o colégio entre os oito e os catorze anos. Com a queda do governo napoleónico a família mudou-se de Tours para Paris, local onde Balzac frequentou mais dois anos de escola e passou os três anos seguintes a trabalhar no escritório de um advogado. A personalidade de Balzac ficaria marcada pela ausência de afeto maternal. Todo o seu trabalho literário se desenvolveu no ambiente de uma família burguesa representativa da mutação dos tempos. O Antigo Regime tinha sido derrubado com a Revolução Francesa.
Honoré de Balzac decidiu aos vinte anos dedicar-se à literatura. Como escritor de Cromwell (1819) e outras trágicas peças não foi além de um insucesso absoluto. De seguida escreveu romances sob pseudónimos. Como as suas obras tinham pouco êxito, lança-se nos negócios em 1825. Associa-se a um livreiro e torna-se impressor, mas em 1828 acaba por arruinar a família. Esta experiência dolorosa vai influir na obra literária. Em 1829, a publicação de duas obras deram o mote para o início do sucesso da sua carreira: les Chouans , um romance de amor que conta a história da insurreição dos camponeses de Breton contra a França revolucionária de 1799, e la Physiologie du mariage , um ensaio humorístico e satírico. Um ano depois publica Scènes de la vie privée , obra que veio aumentar a sua reputação. Estas histórias contadas por Balzac eram, na sua maior parte, estudos psicológicos baseados em conflitos entre pais e filhos. É um escritor que observa muito detalhadamente a fachada social. É como um cientista, deve muito ao positivismo de Comte (observação e experiência). Escreve o que pensa da sociedade, mas de um modo desapaixonado. Balzac passou a maioria do seu tempo em Paris. Frequentou os salões parisienses e investiu esforços para se tornar uma figura deslumbrante da cidade das luzes. Estava ávido de fama, fortuna e amor. Encetou um conjunto de relações amorosas com mulheres da aristocracia do seu tempo. Entre 1828 e 1834 teve uma existência verdadeiramente tumultuosa. A ostentação da vida social que cultivava era um modo de se descontrair da sua enorme capacidade de trabalho, cerca de 14 a 16 horas por dia, tempo passado a escrever com uma pena de ganso e vestido com uma toga branca, quase monástica, e sempre acompanhado pelo café, o seu vício. Estes anos foram também de intensa atividade jornalística. Entre 1832 e 1835 produziu mais de vinte trabalhos dos quais se destacam: le Médecin de campagne (1833), Eugénie Grandet (1833), l'Illustre Gaudissart (1833) e Père Goriot (1835) uma das suas obras-primas. Neste romance reaparecem pela primeira vez personagens de romances anteriores. Tenta construir um universo coerente de seres e situações que formem um todo. O ano de 1834 marca o clímax na carreira do escritor, quando decidiu publicar uma série de livros onde retrataria a sociedade do seu tempo dividida em três categorias de romances: em Etudes analytiques retrata os princípios que governam a vida e a sociedade, em Etudes philosophiques revela as causas do determinismo da ação humana e em Etudes de murs mostra os efeitos dessas causas e divide-as em seis scènes - privadas, provinciais, parisienses, políticas, militares e rurais. Este projeto resultou num total de 12 volumes escritos entre 1834/37. Em 1840 juntou todos os volumes e mais alguns escritos posteriores, reunindo-os numa obra que intitulou la Comédie humaine . A edição definitiva, de 24 volumes, só foi editada entre 1869 e 1876. No período entre 1836 e 1839 escreveu le Cabinet des Antiques (1839) e as primeiras duas partes de Illusions perdues , considerada uma obra-prima, que só ficou concluída em 1843. Este livro conta a história de um jovem provinciano que vem para Paris e que, ao confrontar-se com uma nova realidade, abala as suas ideias românticas. Não há tema mais balzaquiano do que o de um jovem provinciano ambicioso que luta no mundo competitivo e adverso da grande cidade de Paris. Balzac admira estes indivíduos e tem especial atração pelo tema que coloca em conflito o indivíduo com a sociedade. As personagens balzaquianas são continuamente afetadas pelas pressões derivadas das dificuldades materiais e das ambições sociais. Ainda durante a década de trinta escreveu alguns romances relacionados com psicologia, mística e temas eróticos. A variedade de temas transformou Balzac no supremo observador e cronista da sociedade francesa contemporânea. Os seus romances são inigualáveis quer na vitalidade e na diversidade narrativas, quer no interesse obsessivo pelas várias vertentes da vida, o contraste entre os hábitos e costumes da cidade e da província, a indústria, o comércio, a arte, a literatura, a cultura, a intriga política, o amor romântico, os escândalos na aristocracia e na alta burguesia. A maioria destes assuntos estavam ainda por explorar na ficção francesa. A história que Balzac se propôs escrever é sobretudo uma história da sociedade burguesa, não negligenciando o indivíduo nos seus silêncios e nas suas elipses. Balzac tinha um extraordinário poder de observação, memória fotográfica e capacidade intuitiva para perceber as atitudes dos outros, os seus sentimentos e motivações. O romance balzaquiano faz com que o leitor descubra a alma e os sofrimentos incógnitos, em particular os sofrimentos de abandono e de humilhação. Os seus romances são interditos a leitores unidimensionais.

VER +

20%

Um Cântico de Natal
13,00€ 10,40€
PORTES GRÁTIS

20%

Tempos Difíceis
16,00€ 12,80€
PORTES GRÁTIS

10%

Nana
19,01€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Bíblia - Volume I - revista e aumentada
19,90€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Imitação de Cristo
17,50€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

10%

Bel-Ami
4,85€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

20%

Cândido ou o Optimismo
13,90€ 11,12€
PORTES GRÁTIS

10%

O Rei Lear
17,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

Apoderava-se dele uma necessidade, “ou, vamos antes dizê-lo, uma religião”, de sair à noite e pintar as estrelas. Vincent Van Gogh não poderia adivinhar que, duzentos anos depois, a sua noite estrelada permaneceria intemporal na história da arte. Paralelamente à pintura, o artista holandês era um grande apreciador de literatura. De acordo com o Van Gogh Museum, “durante os muitos contratempos que enfrentou, mais tarde, na sua vida, a literatura foi algo que o ajudou a continuar.” Numa das muitas cartas escritas ao seu irmão Theo, em 1881, o artista afirmou que “ler livros é como olhar para quadros: sem duvidar, sem hesitar, com autoconfiança, é preciso achar bonito aquilo que é belo.” Hoje, 30 de março, comemoramos o aniversário de Van Gogh partilhando algumas das suas leituras preferidas.

 


 

CHARLES DICKENS // CARIDADE

Theodorus Van Gogh, pai de Vincent, era um ministro protestante que, juntamente com a mulher, Anna Cornelia, educou os filhos para que tivessem um maior entendimento do certo e do errado e, como tal, recomendava-lhes que lessem obras que encorajassem um espírito moralista. Vincent escolhia livros populares na comunidade protestante, que enfatizassem a importância da caridade e da humanidade. O artista holandês lia e relia várias obras de Charles Dickens, nas quais é possível encontrar estes mesmos valores que ele tanto procurava. Para além de Um Cântico de Natal, era também apreciador de Tempos Difíceis

 

JULES MICHELET // AMOR

Foi na obra de Jules Michelet que Vincent encontrou a plenitude que não conseguia personificar na sua vida amorosa. O artista holandês utilizou L'Amour, uma lição moral sobre o amor entre um homem e uma mulher, para justificar as suas escolhas e a forma como vivia a sua vida, desde a paixão que sentiu pela sua prima Kee Vos, ao momento em que viveu com Sien Hoornik, uma prostituta. Esta foi uma das maiores descobertas de Vincent em termos de leitura, considerando o livro de Jules Michelet uma espécie de “evangelho moderno”
 

ÉMILE ZOLA // HONESTIDADE

Émile Zola e Vincent Van Gogh foram dois artistas que enraizaram o seu trabalho na realidade. O artista francês descreveu o quotidiano tal e qual como era vivido nas ruas parisienses e no meio operário – bem patente em obras como Nana. O Van Gogh Museum faz um paralelo entre ambos, uma vez que também Van Gogh queria pintar uma visão honesta daquilo que o rodeava. Da obra de Émile Zola, apreciada pelo pintor, destacam-se também L'Oeuvre e La joie de vivre.  

 

ALPHONSE DAUDET // HUMOR

Em 1888, Vincent Van Gogh mudou-se para Arles. Este foi um dos períodos mais prolíficos da sua carreira, tendo completado mais de 200 quadros, bem como cerca de 100 desenhos e aguarelas. Ainda que nesta altura o seu gosto literário não tivesse mudado muito, Vincent procura agora obras humorísticas e satíricas. É nesta altura que descobre a obra de Alphonse Daudet, Tartarin de Tarascon, uma caricatura do francês do sul, que lhe permite encontrar semelhanças com a vida que leva no sul de França. “O humor da obra impressionou-o. Vincent acreditava que pouco acontecia, na sua era, que fosse verdadeiramente positivo, e que a arte era a única capaz de trazer algum consolo”. 
 

Piles of French Novels, de Vincent Van Gogh (1887). 

 
OUTRAS LEITURAS DE VINCENT VAN GOGH
X
O QUE É O CHECKOUT EXPRESSO?


O ‘Checkout Expresso’ utiliza os seus dados habituais (morada e/ou forma de envio, meio de pagamento e dados de faturação) para que a sua compra seja muito mais rápida. Assim, não tem de os indicar de cada vez que fizer uma compra. Em qualquer altura, pode atualizar estes dados na sua ‘Área de Cliente’.

Para que lhe sobre mais tempo para as suas leituras.