Uma história profundamente humana do Rei do Terror

Por: Beatriz Sertório a 2020-03-10 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Stephen King

Stephen King

Romancista norte-americano, Stephen King nasceu em 1947, em Portland, Maine. Filho de um marinheiro mercante, que abandonou a família em 1950, foi criado pela mãe, em Durham, juntamente com o seu irmão David. A mãe viu-se forçada a trabalhar precariamente para poder sustentar os seus filhos.

Aos seis anos de idade, o jovem Stephen teve de proceder à punctura do tímpano por diversas vezes, experiência dolorosa que nunca conseguiria esquecer. Deu início aos seus estudos secundários na Lisbon Falls High School, onde começou a escrever contos, ao mesmo tempo que fazia parte de um grupo amador de rock. No ano de 1960, Stephen King submeteu o seu primeiro manuscrito para publicação, o qual seria rejeitado. Entretanto, editava o jornal do liceu, The Drum, e escrevia para o jornal local, o Lisbon Weekly Enterprise. Publicou o seu primeiro conto, In A HalfWorld Of Terror, numa fanzine de terror. Em 1970 licenciou-se pela Universidade do Maine e, no ano seguinte, casou com Tabitha Spruce, que também viria a alcançar reputação como escritora. De 1971 a 1974, Stephen King foi instrutor na Hampden Academy, até ter publicado o seu primeiro romance, Carrie (1974), a história de uma rapariga com poderes telecinéticos. Atirou as primeiras páginas do trabalho ao lixo, mas foram resgatadas pela esposa, que o encorajou a prossegui-las. A obra não teve, a princípio, senão um sucesso modesto, mas com a adaptação para cinema e com a publicação do romance Salem's Lot (1976), conseguiu estabelecer-se como importante escritor de literatura de terror. Nos finais do verão de 1974, Stephen King decidiu passar umas férias prolongadas no Colorado na companhia da sua família. De visita ao Stanley Hotel, em Estes Park, chegou-lhe a inspiração para o seu romance seguinte, The Shining (1975), que chegaria a obter versão cinematográfica pela mão de Stanley Kubrick, em 1977. Nessa época, segundo confissão do próprio autor, tinha a braços problemas de abuso de álcool e drogas. Na segunda metade dos anos 70, Stephen King começou a publicar uma série de romances sob o pseudónimo Richard Bachman, de que Rage (1977) e The Long Walk (1979) são exemplos. Em junho de 1999, o escritor ficou gravemente ferido em consequência de um atropelamento por uma carrinha. Não obstante, no mês seguinte começou a publicar uma série de folhetins virtuais no seu website www.stephenking.com, sendo o primeiro escritor de gabarito a recorrer ao suporte virtual. Na primeira história, uma vinha sobrenatural começa a crescer numa editora de livros de bolso, trazendo sucesso e riquezas em troca de sangue e carne fresca. Em convalescença do acidente, Stephen King decidiu fazer um balanço do seu início de carreira, com On Writing (2000), obra principalmente destinada a aconselhar potenciais escritores. Stephen King passou a maior parte da sua carreira como romancista em Bangor, no estado do Maine.

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Quando pensamos em Stephen King, conhecido como o Rei do Terror, pensamos nas histórias e nas personagens que povoaram os nossos pesadelos – desde a fanática religiosa Margaret White, de Carrie, ao alcoólico Jack Torrance. de The Shining, passando pelo demoníaco palhaço Pennywise, de A Coisa, ou a obsessivo-compulsiva Annie Wilkes, de Misery. É, sobretudo, pela sua capacidade de provocar medo nos leitores que o lembramos. Contudo, no espectro das emoções humanas exploradas nas suas obras, é tão importante o medo como a esperança. E é de uma mensagem de esperança que trata este mais recente Elevação.

 


 

A premissa é típica dos romances de Stephen King: um homem de uma pequena cidade no estado do Maine (estado dos EUA onde King nasceu e onde situa os enredos de grande parte dos seus livros) depara-se com uma situação bizarra. Em Elevação, esse homem é Scott Carey e a situação bizarra é a sua perda de peso constante, apesar de a sua forma física se manter inalterada. 


Num claro ataque a Donald Trump, que chega mesmo a ser explícito ao longo da história, King descreve a cidade onde Scott vive (Castle Rock) como uma cidade republicana e profundamente conservadora, cuja população não aceita Deidre e Missy, o casal de lésbicas que, recentemente, abriu um restaurante nas redondezas. Scott, apesar de não partilhar este preconceito, começa uma guerra com elas pelo facto de os cães do casal gostarem de fazer as necessidades no seu relvado. Todavia, com o tempo, começa a perceber as dificuldades que ambas têm tido desde que se mudaram para Castle Rock e decide ajudá-las a serem acolhidas pela comunidade.

É bem conhecida a consciência política e social de Stephen King, que, numa entrevista, ao The New York Times, em 2019, confessa: «Comecei a ter cada vez mais a noção de que as pessoas sem privilégios e as que não pertencem ao americano branco estereotipado, estavam a ser marginalizadas». A gradual leveza do ser, de Scott, pode ter algo que ver com esta mesma compreensão – a de alguém que, percebendo as barreiras de diferentes tipos que colocamos entre nós e os outros, se liberta delas e, assim, se eleva. 

 

«Talvez no momento de morrer todos se elevem.»  in Elevação 


 

Apesar da inegável mensagem do foro espiritual - uma vez que King, apesar de condenar a religião organizada, acredita em Deus -, a principal mensagem de Elevação é profundamente humana: esperança na união entre as pessoas e no fim das fronteiras que nos separam, algo que é tão importante nos tempos que correm, não só nos EUA mas também em todo o mundo. 

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