Um amor para toda a vida | José e Pilar

Por: Bertrand Livreiros a 2019-02-06 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

José Saramago

José Saramago

Prémio Nobel de Literatura, 1998

Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga.
As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»
Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte.
No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário.
Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.
Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.
No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo.
No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.
José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998.

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José e Pilar
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“Um dia de junho de mil novecentos e oitenta e seis, catorze, telefona para minha casa em Lisboa, onde eu então vivia, uma senhora que dizia chamar-se Pilar del Río , de profissão jornalista, leitora minha e que queria, uma vez que viajaria a Lisboa, gostaria, se eu tivesse tempo, de conhecer-me. E eu disse que sim senhor. Não era a primeira vez que um jornalista por uma razão ou outra queria falar comigo, e eu não sabia quem era a senhora, e combinámos encontrarmo-nos no Hotel Mundial onde ela ia hospedar-se (…).E assim foi, combinámos encontrarmo-nos às quatro da tarde. Fui ao hotel, à receção, e perguntei pela senhora Pilar del Río de cuja cara, de cuja figura eu não tinha a menor ideia.(…)

Foi para mim uma surpresa muito agradável. Tratava-se de uma mulher muito bonita, como continua a sê-lo. E, claro, falámos um pouco de livros, apresentou-se, e eu apresentei-me, e então propus dar com ela uma volta pela cidade, principalmente porque tínhamos falado muito de Fernando Pessoa e de Ricardo Reis .(…)

Íamos conversando sobre coisas várias, sobre Espanha, sobre isto, sobre aquilo, e a certa altura ela diz-me, já não sei a que propósito, mas diz-me, que tinha sido ‘monja’, que é como nós dizemos, freira. Coisa que me pareceu esquisitíssima. Não é que eu duvidasse, mas a verdade é que uma mulher tão elegante, tão bonita como ela era, e como continua a sê-lo, repito, e com esse tom de paixão e entusiasmo em tudo o que diz e tudo o que faz, não coincidia nada com a ideia de uma ‘monja’. (…)

No fim trocámos as moradas, os telefones, tudo isso, e ficámos assim. Gostei de tê-la conhecido e tive o pressentimento de que aquilo iria levar a algo mais completo, mais sério. E creio que ela deve ter tido…creio não, sei que ela teve a mesma sensação: Eu havia encontrado aquela mulher e ela havia encontrado este homem. Mas nem eu lhe contei nada da minha vida nem ela me contou nada da sua.

(…) Casámos em oitenta e oito, salvo erro no dia vinte e nove de outubro, e a partir daí, pronto, a partir daí é a vida de um casal que está bem, que está fazendo bem aquilo que tem de fazer, uma vida em comum, uma vida sólida, uma vida feliz, e já está, nada mais.(…).

 

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(…) Tenho muitas razões para pensar que o grande acontecimento da minha vida foi tê-la conhecido.(…) se se pudesse quantificar, se se pudesse quantificar, então eu diria,

E a minha filha dirá: ‘Então não me amas a mim?’ ‘Claro que sim, mulher!’, diria eu. ‘Claro que sim, mas não é a mesma coisa.’ (…)

Se você disser ‘Mas é capaz de imaginar a vida sem ela?’, eu terei de dizer que não sei como é que iria viver, viveria evidentemente, mas não sei como.(…) Agora não queria estar na pele da Pilar , quando eu desaparecer…(…)

Mas de toda a maneira vamos ficar perto um do outro porque as minhas cinzas vão ficar debaixo da pedra que está no jardim, portanto, continuaremos…de alguma maneira…juntos (sorri)…, enfim, na mesma casa, e como eu lhe disse ‘de vez em quando, quando te lembrares de mim, põe uma florzinha em cima da pedra para eu pensar que ainda estou a ser recordado’.”

José Saramago, sobre Pilar del Río, a mulher que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar.

Dizia Saramago que no casamento ‘não há dois, mas três…e esses três são os dois que participam, mais a união que constituem(…).’ Pilar não acredita que se morra de amor. Vive-se de amor, disse. Depois da morte de Saramago, ficou a união que ambos construíram. Sobre isso, diz Pilar: Do casamento salvou-se a união, pelo menos uma parte. Abomino a expressão morrer de amor. Morre-se porque chegou a hora. Morre-se porque se tem uma doença ou uma depressão. Vive-se de amor. Se não se vive de amor, o melhor é não viver”.

 

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Opinião dos leitores

Celibatário
Monica | 11-02-2021
Um ídolo não tem estado civil. Para mim, ciumenta , Saramago será sempre solteiro.
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