The Testaments, a distopia que nos faz questionar a realidade

Por: Sofia Costa Lima a 2019-09-20 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Margaret Atwood

Margaret Atwood

Margaret Atwood nasceu em Otava, em 1939. É uma das mais celebradas autoras canadianas, senão a melhor, e, além de A História de Uma Serva – agora uma série de televisão multipremiada –, publicou mais de quarenta livros de ficção, poesia e ensaio. Recebeu diversos prémios literários ao longo da sua carreira, incluindo o Arthur C. Clarke, o Booker Prize (em duas ocasiões, por O Assassino Cego, em 2000, e por Os Testamentos, em 2019), o Prémio Príncipe das Astúrias para a Literatura, o Pen Center USA Lifetime Achievement Award e o Prémio da Paz dos Editores e Livreiros Alemães. Foi ainda agraciada com o título de Chevalier da Ordem das Artes e das Letras de França e com a Cruz de Oficial da Ordem de Mérito da República Federal da Alemanha. Uma das mais ativas vozes do feminismo moderno, na ficção e na não ficção, está traduzida para trinta e cinco línguas. Vive em Toronto.
Margaret Atwood recebeu, em 2022, o título de Doutora Honoris Causa, atribuído pela Universidade do Porto pela «extraordinária qualidade da sua obra literária, a importância da sua reflexão intelectual e a pertinência do seu combate público por uma sociedade mais justa, digna e sustentável.»

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Trinta e quatro anos depois de Margaret Atwood ter editado The Handmaid’s Tale , publicado em Portugal com o título História de Uma Serva , a escritora canadiana presenteou-nos finalmente, permitam-nos dizer, com a continuação da distopia passada na República de Gilead. The Testaments , ainda sem edição em português, saiu no início de setembro e está na lista de finalistas do Booker Prize.

O êxito da adaptação televisiva,   The Handmaid’s Tale , motivou uma redescoberta do livro e cada vez mais fãs exigiam respostas às muitas perguntas que ficam no final da história uma vez que a série continua além daquilo que é contado no livro.

 


 

O que ficou por contar

No final de  The Handmaid’s Tale   ficam muitas perguntas no ar. Não só queremos saber o que aconteceu a Offred, a narradora, mas também queremos perceber em que ponto está Gilead.

The Testaments começa a ser contado quinze anos após o final de The Handmaid’s Tale . Desta vez, a história é narrada por três personagens distintas. Duas das narradoras estão em Gilead. Uma delas tinha uma vida diferente antes de os Filhos de Jacob fundarem Gilead e a outra foi criada sem conhecer outra forma de vida além de Gilead. A terceira narradora vive no Canadá, ouve falar daquele país nas notícias e não sabe, mas tem ligações a Gilead. As perspetivas de todas são distintas, no entanto acabam por convergir.

Havia algumas dúvidas sobre a importância e o impacto de uma continuação do livro, mas Margaret Atwood sabia que havia ainda muito para dizer.

 

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. Será?

A autora canadiana já mencionou várias vezes que a inspiração para Gilead e o mundo que vemos em  The Handmaid’s Tale   veio de vários acontecimentos do mundo real. Apesar de distópico, o mundo de Gilead não parece tão distante quanto deveria.

Gilead, uma teocracia, tenta tirar todo o poder às mulheres e limitá-las a uma existência sem voz, sem direitos, sem escolhas. Não está tão longe do que ainda acontece em alguns meios. No fundo, aquilo que  Margaret Atwood  cria é distópico, mas também soa a aviso. Aviso do que pode acontecer e aviso de que só conseguem limitar as sociedades até certo ponto.

Quando pegamos em  The Testaments   e vamos descobrindo o que aconteceu desde a última página de  The Handmaid’s Tale   temos resposta a muitas perguntas. Sentimos aflição e alívio, medo e esperança, impotência e poder.

No entanto, há uma pergunta cuja resposta nos continuará a assombrar: podemos continuar a chamar distopia a algo que soa tão próximo da realidade?

 
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