Jorge de Sena: como se escrever fosse respirar

Por: Sofia Costa Lima a 2019-11-02

Jorge de Sena

Jorge de Sena

Jorge de Sena nasceu em Lisboa a 2 de novembro de 1919 e morreu em Santa Bárbara, na Califórnia, a 4 de junho de 1978. Licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia do Porto, parte para o exílio no Brasil em 1959 e aí doutora-se em Letras e torna-se regente das cadeiras de Teoria da Literatura e de Literatura Portuguesa. Muda-se para os Estados Unidos da América em 1965, lecionando na Universidade de Wisconsin e, anos depois, na Universidade da Califórnia. Poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta e tradutor, é considerado um dos mais relevantes escritores de língua portuguesa do século XX, autor de títulos como Metamorfoses (1963), Os Grão-Capitães (1976), O Físico Prodigioso (1977) e Sinais de Fogo (1979), este último considerado a sua obra-prima.

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Há cem anos nascia, em São Jorge de Arroios, Lisboa,  Jorge Cândido de Sena . Formado em engenharia mas apaixonado pela escrita, é considerado um dos maiores poetas portugueses do século XX e uma personalidade incontornável no panorama cultural da época.

Procurou exílio no Brasil, em 1959, e, mais tarde, haveria de se naturalizar brasileiro. No Brasil, tornou-se professor de literatura e doutorou-se em Letras, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara, em São Paulo.

Em 1965, um ano depois do início da ditadura militar brasileira, Jorge de Sena   e a família haveriam de mudar novamente de país, desta vez para os Estados Unidos. Primeiro, para norte, para o estado do Wisconsin, onde foi professor da universidade. Depois para a soalheira Califórnia, onde foi diretor do Departamento de Espanhol e Português e do Programa de Literatura Comparada, na Universidade da Califórnia.

Regressou a Portugal depois do 25 de abril, mas a estadia foi curta. A relação com Portugal, a sua pátria, seria sempre complicada, tal como o próprio referia na sua poesia: “ porque eu não mereço a pouca sorte de ter nascido nela “.

Faleceu a 4 de junho de 1978, sem nunca ter feito as pazes com o seu país. Grande parte da sua obra haveria de ser publicada a título póstumo, por vontade da mulher, Mécia de Sena .

Celebramos o centenário do nascimento de  Jorge de Sena da melhor forma: recordando a poesia do homem que dizia escrever “ como se escrever fosse respirar “.

 


 

Os Trabalhos e os Dias

Sento-me à mesa como se a mesa fosse o mundo inteiro
e principio a escrever como se escrever fosse respirar
o amor que não se esvai enquanto os corpos sabem
de um caminho sem nada para o regresso da vida.

À medida que escrevo, vou ficando espantado
com a convicção que a mínima coisa põe em não ser nada.
Na mínima coisa que sou, pôde a poesia ser hábito.
Vem, teimosa, com a alegria de eu ficar alegre,
quando fico triste por serem palavras já ditas
estas que vêm, lembradas, doutros poemas velhos.

Uma corrente me prende à mesa em que os homens comem.
E os convivas que chegam intencionalmente sorriem
e só eu sei porque principiei a escrever no princípio do mundo
e desenhei uma rena para a caçar melhor
e falo da verdade, essa iguaria rara:
este papel, esta mesa, eu apreendendo o que escrevo.

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