Jorge Amado, apenas escritor e homem

Por: Sofia Costa Lima a 2019-08-09 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Jorge Amado

Jorge Amado

Jorge Amado nasceu em Pirangi, Baía, em 1912 e faleceu a 6 de agosto de 2001. Viveu uma adolescência agitada, primeiro, na Baía, no início dos seus estudos, depois no Rio de Janeiro, onde se formou em Direito e começou a dedicar-se ao jornalismo. Em 1935 já se tinha estreado como romancista com O País do Carnaval (1931), Cacau (1933), Suor (1934), seguindo-se Terras do Sem Fim (1943) e S. Jorge dos Ilhéus (1944). Politicamente de esquerda, foi obrigado a emigrar, passando por Buenos Aires, onde escreveu O Cavaleiro da Esperança (1942), biografia de Carlos Prestes, depois pela França, pela União Soviética... regressando entretanto ao Brasil depois de ter estado na Ásia e no Médio Oriente. Em 1951 recebeu o Prémio Estaline, com a designação de "Prémio Internacional da Paz". Os problemas sociais orientam a sua obra, mas o seu talento de escritor afirma-se numa linguagem rica de elementos populares e folclóricos e de grande conteúdo humano, o que vai superar a vertente política. A sua obra tem toques de picaresco, sem perder a essência crítica e a poética. Além das já citadas, referimos, na sua vasta produção: Jubiabá (1935), Mar Morto (1936), Capitães da Areia (1937), Seara Vermelha (1946), Os Subterrâneos da Liberdade (1952). Mas é com Gabriela, Cravo e Canela (1958), Os Velhos Marinheiros (1961), Os Pastores da Noite (1964) e Dona Flor e os Seus Dois Maridos (1966) em que o romancista põe de parte a faceta politizante inicial e se volta para temas como a infância, a música, o misticismo popular, a turbulência popular e a vagabundagem, numa linguagem de sabor poético, humorista, renovada com recursos da tradição clássica ligados aos processos da novela picaresca. O seu sentimento humano e o amor à terra natal inspiram textos onde é evidente a beleza da paisagem, a tradição cultural e popular, os problemas humanos e sociais - uma infância abandonada e culpada de delitos, o cais com as suas misérias, a vida difícil do negro da cidade, a seca, o cangaço, o trabalhador explorado da cidade e do campo, o "coronelismo" feudal latifundiário perpassam significativamente na obra deste romancista dos maiores do Brasil e dos mais conhecidos no mundo. Fecundo contador de histórias regionais, Jorge Amado definiu-se, um dia, "apenas um baiano romântico, contador de histórias". "Definição justa, pois resume o carácter do romancista voltado para exemplos de atitudes vitais: românticas e sensuais... a que, uma vez por outra, empresta matizes políticos...", como diz Alfredo Bosi em História Concisa da Literatura Brasileira. Foi-lhe atribuído o Prémio Camões em 1994.

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Nasceu Jorge Leal Amado de Faria , a 10 de agosto de 1912, na Baía, Brasil. Viveu uma adolescência agitada, primeiro na Baía, no início dos seus estudos, e logo depois no Rio de Janeiro. Foi lá que se formou em Ciências Jurídicas e logo depois começou a dedicar-se ao jornalismo.
 

 

Pressões políticas, exílio e a afirmação

Em 1932 inscreveu-se no Partido Comunista Brasileiro . Quatro anos depois foi preso, acusado de participar na Intentona Comunista, uma tentativa de golpe de estado contra o governo de Getúlio Vargas. Posteriormente, em 1937, fez uma viagem pelo Brasil, América Latina e Estados Unidos, durante a qual escreveu Capitães da Areia.   No regresso voltou a ser preso.

Foi eleito deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro em 1945 e assumiu mandato no ano seguinte. No entanto, o partido passou a ser considerado ilegal. Como resultado, o mandato foi anulado.

Mudou-se para Paris, logo depois, em 1948, num período de exílio voluntário que viria a durar pouco. Dois anos depois o governo francês expulsa-o do país, por isso Jorge Amado muda-se para Praga. Só em 1956 viria a cortar todas as ligações ao Partido Comunista.

É também por essa altura que a escrita de Jorge Amado   começa a mudar. O escritor passa a dar mais destaque ao humor, à sensualidade e à miscigenação. Gabriela, Cravo e Canela   é, sem dúvida, um marco nesta mudança. No entanto, Jorge Amado preferia dizer que tinha havido “ uma afirmação e não uma mudança de rota “.

Nos anos que se seguiram, Jorge Amado publicou vários livros com personagens femininas sensuais, fortes e marcantes. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 muitos dos seus livros foram adaptados para cinema e televisão. A adaptação de  Gabriela   ainda hoje é uma das novelas mais marcantes exibidas no Brasil e em Portugal.

 

O Legado Duradouro de Jorge Amado

Em 1994, Jorge Amado recebeu o Prémio Camões,  considerado o Nobel da Literatura em Língua Portuguesa. Dois anos depois, em Paris, viria a sofrer um edema pulmonar. Regressou ao Brasil, foi operado e quase deixou de sair de casa porque a cegueira parcial o impedia de ler e escrever.

Morreu em agosto de 2001, a poucos dias de completar 89 anos. O seu legado, no entanto, mantém-se até aos dias de hoje. Em 2012, a Globo produziu uma nova versão da novela  Gabriela emitida originalmente em 1975.

A história de vida de Jorge Amado será publicada em livro no final deste mês de Agosto. O livro  Jorge Amado – Uma Biografia da autoria de Joselia Aguiar, surge de várias entrevistas e pesquisas da autora, com acesso a documentos de família e cartas de amigos e outros escritores. Chega às livrarias a 27 de agosto.

Hoje, recordamos Jorge Amado através de cinco curiosidades sobre a vida do escritor brasileiro.

 
1. Vários dos seus livros foram queimados durante o estado novo brasileiro.

As opiniões políticas de  Jorge Amado  criaram sempre algum atrito com os governos brasileiros. Durante o Estado Novo, instituído por Getúlio Vargas no Brasil, entre 1937 e 1950, mil exemplares de livros do autor foram queimados em praça pública pela polícia do regime, em Salvador, na Baía.

Em Portugal, os seus livros foram proibidos até 1960. No entanto, o êxito internacional de  Gabriela, Cravo e Canela   acabou por permitir que o mesmo fosse publicado por cá.

 

2. O Gato Malhado que andou perdido durante 30 anos.

Jorge Amado escreveu O gato malhado e a andorinha Sinhá em 1948, em Paris. O objetivo era ser uma prenda para o filho, que completava um ano, mas o texto acabou por ficar perdido no meio das coisas da criança e só foi encontrado em 1976.

O livro foi publicado nesse ano, sem alterações ao original. Jorge Amado recusou mexer nele. Dizia que se o reestruturasse o texto ia perder a sua “ única qualidade”, que era a de “ter sido escrito simplesmente pelo prazer de escrevê-lo, sem nenhuma obrigação de público e de editor “.

 

3. É o segundo escritor brasileiro mais vendido fora do Brasil

Já foi o mais vendido, mas Paulo Coelho ultrapassou-o. Ainda assim, Jorge Amado continua a ser o segundo autor brasileiro mais vendido fora do Brasil.  Gabriela, Cravo e Canela  chegou, na altura em que foi publicado originalmente, a fazer parte da lista dos mais vendidos do The New York Times.

Além disso, vários dos seus livros, tais como O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá: Uma História de Amor (1976) e Tieta do Agreste (1977), foram traduzidos para mais de cinquenta países.

 

4. A primeira telenovela em portugal

A adaptação televisiva de  Gabriela, Cravo e Canela transmitida pela Globo, no Brasil, em 1975, chegou a Portugal dois anos depois e desde logo se tornou um fenómeno de popularidade.

Gabriela  foi a primeira telenovela a ser emitida em Portugal . Numa época em que poucos tinham televisão em casa, era comum se juntarem em cafés ou associações para assistir aos episódios. O êxito era tanto que a Assembleia Nacional adiou ou suspendeu sessões várias vezes, para que os deputados pudessem assistir à telenovela.

Graças a isso, o livro de Jorge Amado foi a obra mais vendida da Feira do Livro de Lisboa desse ano.

 

Jorge Amado com José Saramago. Fotografia: Fundação Casa de Jorge Amado
 

5. Rodeado de amigos talentosos

Nos anos de viagens e exílio, Jorge Amado travou amizade com várias personalidades do mundo da escrita e da arte. Desde José Saramago a Gabriel García Márquez , Pablo Neruda ou Mario Vargas Llosa .

As amizades ilustres, no entanto, não o impressionavam. No livro Navegação de Cabotagem,  Amado escreveu algumas palavras sobre isso: “ Não nasci para famoso nem para ilustre, não me meço com tais medidas, nunca me senti escritor importante, grande homem: apenas escritor e homem ”.

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