Dia do Livro Português | 6 curiosidades sobre os seus autores preferidos

Por: Bertrand Livreiros a 2019-03-26 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

Dina Fernanda Ferreira de Sousa

Dina de Sousa, já foi distinguida por Gourmand World CookBook com o prémio Best Culinary History Book atribuído à obra Arte Doceira de Coimbra – Conventos e Tradições – Receituários (Séculos XVII-XX), e membro de DIAITA – Património Alimentar da Lusofonia.

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Ramalho Ortigão

Ramalho Ortigão

Ramalho Ortigão foi escritor e jornalista. Nasceu no Porto, onde foi criado pela avó, e estudou Direito em Coimbra, não tendo, porém, acabado o curso. Foi professor de Eça de Queirós, com quem escreveu um dos primeiros livros policiais da literatura portuguesa. Com Eça também fundou mais tarde As Farpas. Com Antero de Quental bateu-se em duelo, à espada, por causa de uma contenda decorrente da Questão Coimbrã. Figura destacada do século XIX, literário e intelectual português, e, em particular, da Geração de 70, foi um ilustre membro do grupo dos "Vencidos da Vida".

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Miguel Torga

Miguel Torga

Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, autor de uma vasta produção literária, largamente reconhecida e traduzida em várias línguas. Nasceu em S. Martinho de Anta em 1907. Depois de uma experiência de emigração no Brasil durante a adolescência, cursou Medicina em Coimbra, onde passou a viver e onde veio a falecer em 1995. Foi poeta presencista numa primeira fase; a sua obra abordou temas sociais como a justiça e a liberdade, o amor, a angústia da morte, e deixou transparecer uma aliança íntima e permanente entre o homem e a terra. Estreou-se com Ansiedade, destacando-se no domínio da poesia com Orfeu Rebelde, Cântico do Homem, bem como através de muitos poemas dispersos pelos dezasseis volumes do seu Diário; na obra de ficção distinguimos A Criação do Mundo, Bichos, Novos Contos da Montanha, entre outros. O Diário ocupa um lugar de grande relevo na sua obra. Também como escritor dramático, publicou três obras intituladas Terra Firme, Mar e O Paraíso. Recebeu, entre outros, o Prémio Montaigne em 1981, o Prémio Camões em 1989 e o Prémio Vida Literária (atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores) em 1992.

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Mário de Sá-Carneiro

Mário de Sá-Carneiro

Poeta e ficcionista, com Fernando Pessoa e Almada Negreiros, Mário de Sá-Carneiro constitui um dos principais representantes do Modernismo português. Partindo para Paris, em 1912, para cursar Direito, estudos que abandonaria pouco depois, a figura de Mário de Sá-Carneiro assume uma importância basilar para a compreensão do modo como o Modernismo português se foi formando com caracteres próprios na recepção das correntes de vanguarda europeias, processo de que a correspondência que estabeleceu com Fernando Pessoa dá um testemunho documental precioso e que culminaria com a publicação de Orpheu, em 1915. Os poemas que edita no primeiro número de Orpheu, destinados a Indícios de Oiro, são, a este título, significativos da sua adesão às estéticas paúlica e sensacionista, que na correspondência entre os dois grandes poetas fora gerada, glosando, então, em moldes muito devedores do simbolismo-decandentismo, a abjecção de um eu em conflito com um outro, reverso da sua frustração e insatisfação ("Eu não sou eu nem o outro, / Sou qualquer coisa de intermédio: / Pilar da ponte de tédio / Que vai de mim para o Outro", "7"), ao mesmo tempo que a publicação de "Manucure", no segundo número de Orpheu , revela uma incursão por uma forma poética mais próxima da escrita da vanguarda futurista, no que contém de autonomização do significante. Já antes de Orpheu, a colaboração de Mário de Sá-Carneiro na revista Renascença (1914) - onde Fernando Pessoa publica Impressões de Crepúsculo -, com a publicação de Além (apresentado como uma tradução portuguesa de certo Petrus Ivanovitch Zagoriansky), instituíra a sua experiência poética na charneira entre a herança simbolista e as tentativas paúlicas e interseccionistas. Mário de Sá-Carneiro constitui ainda um paradigma da prosa modernista portuguesa pela publicação das narrativas Céu em Fogo e A Confissão de Lúcio, construídas frequentemente a partir do estranhamento de um narrador insolitamente introduzido em situações onde o erotismo, o onirismo, o fantástico, se associam aos temas obsessivos do desdobramento e autodestruição do eu. O seu suicídio, com 26 anos, parecendo vir selar aquele sentimento de inadaptação à vida, de permanente incompletude, de narcísico auto-aviltamento e, sobretudo, de consciência dolorosa da irremediável cisão do eu, consubstanciada na dramática tensão entre um eu, vil e prosaico, e um outro, seu duplo ideal, que alimentaram tematicamente a obra, nimbou-o para a posteridade de uma aura de poeta maldito, que deixaria um forte ascendente sobre a poesia contemporânea de gerações posteriores à sua. Com efeito, a mensagem poética do autor de Indícios de Oiro ecoa postumamente na literatura presencista da geração de 50 e até surrealista, passando por nomes absolutamente diversos como Sebastião da Gama, Mário de Cesariny ou Alexandre O'Neill, entre muitos outros.

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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa literatura, conhecido mundialmente. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século xx. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como «correspondente estrangeiro». Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros e outros, a revista Orpheu, que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista Orpheu (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, Mensagem (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos.

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Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís

Agustina Bessa-Luís nasceu em Vila Meã, Amarante, a 15 de outubro de 1922. A sua infância e adolescência são passadas nesta região, cuja ambiência marcará fortemente a obra da escritora. Estreou-se como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado, tendo desde então mantido um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas, contando com mais de meia centena de obras.
Representou as letras portuguesas em numerosos colóquios e encontros internacionais e realizou conferências em universidades um pouco por todo o mundo.
Foi membro do conselho diretivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma, 1961-1962).
Entre 1986 e 1987 foi diretora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Foi membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa, tendo sido distinguida com a Ordem de Sant'Iago da Espada (1980), a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de "Officier de l'Ordre des Arts et des Lettres", atribuído pelo governo francês (1989).
É em 1954, com o romance A Sibila, que Agustina Bessa-Luís se impõe como uma das vozes mais importantes da ficção portuguesa contemporânea. Conjugando influências pós-simbolistas de autores como Raul Brandão na construção de uma linguagem narrativa onde o intuitivo, o simbólico e uma certa sabedoria telúrica e ancestral, transmitida numa escrita de características aforísticas, se conjugam com referências de autores franceses como Proust e Bergson, nomeadamente no que diz respeito à estruturação espácio-temporal da obra, Agustina é senhora de um estilo absolutamente único, paradoxal e enigmático.
Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem foi amiga e com quem trabalhou de perto. Estão neste caso Fanny Owen ("Francisca"), Vale Abraão e As Terras do Risco ("O Convento"), para além de "Party", cujos diálogos foram igualmente escritos pela escritora. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).
Em Maio de 2002 Agustina Bessa-Luís é pela segunda vez contemplada com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE), relativo a 2001, com a obra "O Princípio da Incerteza - Jóia de Família", obra que Manoel de Oliveira adaptou ao cinema com o título "O Princípio da Incerteza", e que foi exibido dias antes da atribuição deste prémio, no Festival de Cannes.
Agustina Bessa-Luís foi distinguida com os prémios Vergílio Ferreira 2004, atribuído pela Universidade de Évora, pela sua carreira como ficcionista, e o Prémio Camões 2004, o mais alto galardão das letras em português.
Morreu dia 3 de junho de 2019, com 96 anos.

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Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco

Nasceu em 1825, em Lisboa, e faleceu em 1890, em S. Miguel de Seide (Famalicão). Com uma breve passagem pelo curso de Medicina, estreia-se nas letras em 1845 e em 1851 publica o seu primeiro romance, Anátema. Em 1860, na sequência de um processo de adultério desencadeado pelo marido de Ana Plácido, com quem mantinha um relacionamento amoroso desde 1856, Camilo e Ana Plácido são presos, acabando absolvidos no ano seguinte por D. Pedro V. Entre 1862 e 1863, Camilo publica onze novelas e romances, atingindo uma notoriedade dificilmente igualável. Tornou-se o primeiro escritor profissional em Portugal, dotado de uma capacidade prodigiosa para efabular a partir da observação da sociedade, com inclinação para a intriga e análise passionais. Considerado o expoente do romantismo em Portugal, autor de obras centrais na história da literatura nacional, como Amor de Perdição, A Queda dum Anjo e Eusébio Macário, Camilo Castelo Branco, cego e impossibilitado de escrever, suicidou-se com um tiro de revólver a 1 de Junho de 1890.

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Júlio Dinis

Júlio Dinis

Júlio Dinis, pseudónimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, nasceu em 1839 no Porto, onde cursou Medicina. Em 1862, diagnosticado com tuberculose, suspende o exercício da profissão e retira-se, durante vários anos, para Ovar e, mais tarde, para a Madeira. Descoberto o encanto da vida rural, mas nunca esquecendo o afã da cidade e a sua burguesia nascente, publica o seu primeiro romance em volume, As Pupilas do Senhor Reitor, em 1867, seguindo-se-lhe Uma Família Inglesa (ambos lançados previamente em folhetins, no Jornal do Porto) e A Morgadinha dos Canaviais, ambos em 1868. No ano seguinte conclui o seu quarto romance, Os Fidalgos da Casa Mourisca, cujas provas tipográficas já não acabará de rever. Marcando a transição entre romantismo e realismo, e influenciado pela leitura dos grandes autores ingleses, como Jane Austen ou Charles Dickens, Júlio Dinis cultiva na sua obra o tratamento cuidado de temas familiares e quotidianos, numa estrutura de desenvolvimento lento, mas de resolução engenhosa. Após uma longa batalha contra a doença, morre prematuramente, aos 31 anos, na cidade que o viu nascer, em 1871.

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Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu a 6 de novembro de 1919 no Porto, onde passou a infância. Entre 1939-1940 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. Em 1944 sai, em edição de autor, o seu primeiro livro de poemas, Poesia, título inaugural de uma obra incontornável que a torna uma das maiores vozes da poesia do século xx. Os seus livros estão traduzidos em várias línguas e foi muitas vezes premiada, tendo recebido, entre outros, o Prémio Camões 1999, o Prémio Poesia Max Jacob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana – a primeira vez que um português venceu este prestigiado galardão. Com uma linguagem poética quase transparente e íntima, ao mesmo tempo ancorada nos antigos mitos clássicos, Sophia evoca nos seus versos os objectos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias. Na sequência do seu casamento com o jornalista, político e advogado Francisco Sousa Tavares, em 1946, passou a viver em Lisboa. Foi mãe de cinco filhos, para quem começou a escrever contos infantis.
Em termos cívicos, a escritora caracterizou-se por uma atitude interventiva, tendo denunciado activamente o regime salazarista e os seus seguidores. Apoiou a candidatura do general Humberto Delgado e fez parte dos movimentos católicos contra o antigo regime, tendo sido um dos subscritores da «Carta dos 101 Católicos» contra a guerra colonial e o apoio da Igreja Católica à política de Salazar. Foi ainda fundadora e membro da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Após o 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto, numa lista do Partido Socialista. Foi também público o seu apoio à independência de Timor-Leste, conseguida em 2002.
Faleceu a 2 de julho de 2004, em Lisboa. Dez anos depois, em 2014, foram-lhe concedidas honras de Estado e os seus restos mortais foram trasladados para o Panteão Nacional.
No dia em que se celebrou o centenário do seu nascimento, a 6 de novembro de 2019, é-lhe concedido a título póstumo o Grande-Colar da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

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10%

Livro do Desassossego
24,99€
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A Sibila
18,00€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
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30%

As Pupilas do Senhor Reitor
13,50€
30% CARTÃO LEITOR BERTRAND
PORTES GRÁTIS

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Uma Família Inglesa
16,50€
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Sabores da Mesa na Obra de Miguel Torga
18,50€
10% CARTÃO LEITOR BERTRAND
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Bichos
5,95€
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A Fada Oriana
13,50€
20% CARTÃO LEITOR BERTRAND
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Navegações
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Hoje, celebramos o Dia do Livro Português, uma data especial, criada pela Sociedade Portuguesa de Autores, com o objetivo de destacar a importância do livro e da língua portuguesa em todo o mundo. Neste mesmo dia, em 1487, foi impresso o primeiro livro em Portugal: “Pentateuco”, em hebraico, publicado por Samuel Gacon, em Vila-a-Dentro, Faro. Já o primeiro livro escrito em português – “Constituições que fez o Senhor Dom Diogo de Sousa, Bispo do Porto” – foi editado no Porto, dez anos depois, a 4 de janeiro de 1497, produzido pelo primeiro impressor luso, Rodrigo Álvares.

Em jeito de celebração, partilhamos consigo algumas curiosidades.

 

1. FERNANDO PESSOA E A SUA PAIXÃO POR ASTROLOGIA

A 24 de dezembro de 1915, Mário Sá-Carneiro escreve a Fernando Pessoa: “A sua incarnação em Raphael Baldaya, astrólogo de longas barbas, é puramente de morrer a rir.” Baldaya, um  dos heterónimo criado pelo autor de Livro do Desassossego, tinha a particularidade de se dedicar à astrologia e ser o autor de diversos textos, como por exemplo “New Theory of Astrological Periods”.

De facto, Pessoa ganhou “alguns tostões com a astrologia”, estabelecendo uma tabela de honorários que variavam entre os 500 e os 5000 réis. A Biblioteca Nacional, dispõe de alguns cartões, no seu espólio, com indicações de nome, data e hora de nascimento  – o que leva a supor que Pessoa traçava os mapas astrais de clientes, amigos e de todos os seus heterónimos. (via Público)

 

2. AGUSTINA BESSA-LUÍS, IRREVERENTE ATÉ NO CASAMENTO

É em A Sibila que Agustina Bessa-Luís aborda a “menorização” das mulheres no casamento, intitulando-as de “parasitas do homem e não companheiras”. Esta opinião acerca das “amadas servindo os seus senhores, tornadas abjetas à custa de lhes ser negada a responsabilidade”, não impediu que ela própria seguisse também os ofícios do matrimónio – ainda que no registo próprio e ousado que lhe pertencia.

Em 1945, a menina oriunda de uma família rica de Amarante, casou com um estudante, que conheceu através de um anúncio que colocou no jornal “O Primeiro de Janeiro”, onde anunciava que se pretendia corresponder “com pessoas cultas e inteligentes”. O facto mais curioso? Agustina casou envergando um vestido preto e um colar de pérolas, “como quem seguisse as mais estritas regras de Gabrielle Chanel” (via Observador).

 

3. DIANA DE AVELEDA, O OUTRO LADO DE JÚLIO DINIS

Joaquim Guilherme Gomes Coelho adoptou o pseudónimo de Júlio Dinis para publicar as suas obras, sendo as mais conhecidas As Pupilas do Senhor Reitor e Uma Família InglesaTodavia, um dos factos menos conhecidos é que Joaquim também foi Diana de Aveleda, utilizada para as narrativas mais sentidas e inocentes, ou até mesmo para algumas crónicas no Diário do Porto. Diana possuía uma personalidade própria, aparecendo como uma mulher culta que estabelecia correspondência constante com uma tal Cecília. Esta personagem fictícia ficou conhecida pela discussão sobre o que é “ser mulher”, mantida com o autor Ramalho Ortigão. (via Comunidade, Cultura e Arte)

 

4. CAMILO CASTELO BRANCO, ENCARCERADO POR AMOR

O clássico da literatura portuguesa, Amor de Perdição, foi escrito em quinze dias, no período de tempo em que Camilo Castelo Branco esteve preso. O escritor foi acusado de rapto e adultério, por seduzir e fugir com Ana Plácido - tendo a denúncia sido feita pelo marido desta, Manuel Pinheiro Alves. O crime foi divulgado em diversas fontes de informação da altura, tornando-se num caso mediático e apreciado pelos mais românticos. (via Comunidade, Cultura e Arte).

 

5. A ARTE SAGRADA DE COMER E BEBER DE MIGUEL TORGA

Ao longo da vasta obra de Miguel Torga, são várias as referências ou alusões a comida, denotando o seu sentido de partilha e a importância atribuída ao convivío em torno de uma mesa. Para Dina Fernanda Ferreira de Sousa, autora de Sabores da Mesa na Obra de Miguel Torgahá uma certa sacralidade no “tempo de celebrar, de partilhar o pão, de provar o vinho” para o escritor (via Sapo Lifestyle).

Torga tinha sempre à entrada de sua casa uma garrafa de vinho do Porto, ficando particularmente aborrecido quando oferecia esse “sol engarrafado” a alguém que não o saboreava, considerando um desperdício bebê-lo de um trago. O vinho era encarado pelo autor de Bichos como um néctar sagrado.

 

6. A POESIA SEMPRE ESTEVE NA RUA DE SOPHIA MELLO BREYNER

A poeta e escritora Sophia de Mello Breyner sempre foi conhecida pela sua atitude interventiva, denunciando ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Ainda antes do 25 de abril, a autora de A Fada Oriana e Navegações, integrou a Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos.

É no 1.º de Maio que milhares de manifestantes gritam em Lisboa uma palavra de ordem, lançada pela própria Sophia, mais tarde imortalizada num quadro de Vieira da Silva: “A poesia está na rua” (via Público).

 

 

 

Que livro português vai ler hoje, para celebrar?

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