De Portugal para o mundo | 6 edições estrangeiras de obras portuguesas

Por: Beatriz Sertório a 2020-05-22 // Coordenação Editorial: Marisa Sousa

José Saramago

José Saramago

Prémio Nobel de Literatura, 1998

Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga.
As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»
Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte.
No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário.
Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.
Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.
No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo Reis, O Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a Cegueira, Todos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo.
No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.
José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou postumamente, a 16 de novembro de 2021, José Saramago com o grande-colar da Ordem de Camões, pelos "serviços únicos prestados à cultura e à língua portuguesas", no arranque das comemorações do centenário do nascimento do escritor.

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Dulce Maria Cardoso

Dulce Maria Cardoso

Dulce Maria Cardoso publicou os romances Eliete (2018, livro do ano, entre outros, no Público, Expresso e no JL, Prémio Oceanos e finalista do Prémio Femina), O Retorno (2011, Prémio Especial da Crítica e livro do ano dos jornais Público e Expresso), O Chão dos Pardais (2009, Prémio PEN Clube Português e Prémio Ciranda), Os Meus Sentimentos (2005, Prémio da União Europeia para a Literatura) e Campo de Sangue (2001, Prémio Acontece, escrito na sequência de uma Bolsa de Criação Literária atribuída pelo Ministério da Cultura). Os seus romances estão traduzidos em várias línguas e publicados em mais de duas dezenas de países. A tradução inglesa de O Retorno recebeu, em 2016, o PEN Translates Award. Publicou contos em revistas e jornais, a maioria dos quais reunida nas antologias Até Nós (2008) e Tudo São Histórias de Amor (2013). Alguns deles fazem parte de várias antologias estrangeiras, e «Anjos por dentro» foi incluído na antologia Best European Fiction 2012, da Dalkey Archive. Em 2017, foram publicados os textos Rosas, escritos no âmbito da estada em Lisboa de Anne Teresa De Keersmaeker, quando a coreógrafa foi a Artista na Cidade. Criou, ainda, a personagem Lôá, a menina-Deus, para uma série da RT2. A obra de Dulce Maria Cardoso é estudada em universidades de vários países, fazendo parte de programas curriculares, e tem sido objeto de várias teses académicas, bem como adaptada a cinema, teatro e televisão. A autora tem participado em vários festivais de prestígio internacional. Em 2012, recebeu do Estado francês a condecoração de Cavaleira da Ordem das Artes e Letras. Assina, na Visão, a coluna «Autobiografia não autorizada» e é comentadora na estação televisiva SIC, no programa Original é a Cultura.

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Fernando Pessoa

Fernando Pessoa

Um dos maiores génios poéticos de toda a nossa literatura, conhecido mundialmente. A sua poesia acabou por ser decisiva na evolução de toda a produção poética portuguesa do século xx. Se nele é ainda notória a herança simbolista, Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação (e invenção) de novas tentativas artísticas e literárias, mas também no que respeita ao esforço de teorização e de crítica literária. É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterónimo Bernardo Soares.
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa em 1888 (onde virá a falecer) e aos 7 anos partiu para a África do Sul com a sua mãe e o padrasto, que foi cônsul em Durban. Aqui fez os estudos secundários, obtendo resultados brilhantes. Em fins de 1903 faz o exame de admissão à Universidade do Cabo. Com esta idade (15 anos) é já surpreendente a variedade das suas leituras literárias e filosóficas. Em 1905 regressa definitivamente a Portugal; no ano seguinte matricula-se, em Lisboa, no Curso Superior de Letras, mas abandona-o em 1907. Decide depois trabalhar como «correspondente estrangeiro». Em 1912 estreia-se na revista A Águia com artigos de natureza ensaística. 1914 é o ano da criação dos três conhecidos heterónimos e em 1915 lança, com Mário de Sá-Carneiro, José de Almada Negreiros e outros, a revista Orpheu, que dá origem ao Modernismo. Entre a fundação de algumas revistas, a colaboração poética noutras, a publicação de alguns opúsculos e o discreto convívio com amigos, divide-se a vida pública e literária deste poeta.
Pessoa marcou profundamente o movimento modernista português, quer pela produção teórica em torno do sensacionismo, quer pelo arrojo vanguardista de algumas das suas poesias, quer ainda pela animação que imprimiu à revista Orpheu (1915). No entanto, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, publicara apenas um livro em português, Mensagem (no qual exprime poeticamente a sua visão mítica e nacionalista de Portugal), e deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos.

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Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares nasceu em 1970. Desde 2001 publicou livros em diferentes géneros literários e está a ser traduzido em mais de 50 países.
Os seus livros receberam vários prémios em Portugal e no estrangeiro. Com Aprender a rezar na Era da Técnica recebeu o Prix du Meuilleur Livre Étranger 2010 (França), prémio atribuído antes a Robert Musil, Orhan Pamuk, John Updike, Philip Roth, Gabriel García Márquez, Salman Rushdie, Elias Canetti, entre outros.
Alguns outros prémios internacionais: Prémio Portugal Telecom 2007 e 2011 (Brasil), Prémio Internazionale Trieste 2008 (Itália), Prémio Belgrado 2009 (Sérvia), Grand Prix Littéraire du Web – Culture 2010 (França), Prix Littéraire Européen 2011 (França). Foi também por diferentes vezes finalista do Prix Médicis e Prix Femina. Uma Viagem à Índia recebeu, entre outros, o Grande Prémio de Romance e Novela APE 2011. Os seus livros deram origem, em diferentes países, a peças de teatro, dança, peças radiofónicas, curtas-metragens e objetos de artes plásticas, dança, vídeos de arte, ópera, performances, projetos de arquitetura, teses académicas, etc.

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Luís de Camões

Luís de Camões

Poeta português (1524-1580) por excelência e um dos grandes nomes da literatura europeia do Renascimento. Pouco ou nada se sabe sobre a sua família, infância e juventude. Terá sido educado nas formas de cultura clássicas e também na literatura moderna, o que se depreende da sua posterior produção literária. Soldado, aventureiro, mulherengo apaixonado, Camões esteve em África e no Oriente português. Envolveu-se em polémicas e com mulheres casadas, esteve preso por diversas vezes e produziu uma das mais importantes obras literárias no quadro da literatura europeia da época. «Os Lusíadas» é uma das obras mais traduzidas da literatura portuguesa e reconhecida como uma das mais poderosas e brilhantes epopeias da literatura do renascimento europeu. A sua lírica e teatro são igualmente notáveis e invulgares, e as cartas um testemunho histórico valiosíssimo.

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António Lobo Antunes

António Lobo Antunes

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, em 1942. Estudou na Faculdade de Medicina de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra. Em 1970 foi mobilizado para o serviço militar. Embarcou para Angola no ano seguinte, tendo regressado em 1973. Em 1979 publicou os seus primeiros livros, Memória de Elefante e Os Cus de Judas, seguindo-se, em 1980, Conhecimento do Inferno. Estes primeiros livros transformaram-no imediatamente num dos autores contemporâneos mais lidos e discutidos no âmbito nacional e internacional. Todo o seu trabalho literário tem sido, ao longo dos anos, objeto dos mais diversos estudos, académicos ou não, e dos mais importantes prémios, nacionais e internacionais, entre os quais se contam o Prémio Juan Rulfo, 2008, Prémio Camões, 2007, Prémio Jerusalém, 2005, Prémio Ovidio, 2003 e Prémio Europeu de Literatura, 2001. A obra de António Lobo Antunes encontra-se traduzida em inúmeros países e recentemente foi anunciada a sua edição na prestigiosa coleção Pléiade.

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No mês em que se homenageou pela primeira vez, a 5 de maio, aquela que o poeta Fernando Pessoa considerava a sua verdadeira pátria - a língua portuguesa -, e o Dia do Autor Português (22 de maio), olhamos para a forma como alguns dos nomes mais importantes da literatura portuguesa viajaram pelo mundo, com seis edições estrangeiras de obras literárias portuguesas.


 

 

O LIVRO DO DESASSOSSEGO

DE FERNANDO PESSOA

EUA

A par de José Saramago, Fernando Pessoa é um dos autores portugueses mais traduzidos em todo o mundo. Embora existam várias edições em inglês de O Livro do Desassossego, esta, editada por Jeronimo Pizarro - uma autoridade na obra de Pessoa - e publicada pela editora nova-iorquina New Directions, é considerada uma das melhores. Com tradução de Margaret Jull Costa, uma tradutora britânica responsável pela tradução de outros gigantes da literatura portuguesa, como Eça de Queiroz ou José Saramago (tendo ganho alguns prémios pelas traduções dos romances do Nobel), esta é uma edição minuciosa da obra-prima de Pessoa e uma excelente oportunidade para ficar a conhecer a obra do mais importante poeta do modernismo português.

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

DE JOSÉ SARAMAGO

Holanda

Tendo, recentemente, voltado ao topo de vendas pelo paralelismo com a situação pandémica que vivemos, o Ensaio sobre a cegueira é uma das mais importantes obras da literatura portuguesa. Sendo José Saramago o único Nobel da Literatura português, é apenas natural que as suas obras tenham sido amplamente traduzidas. Esta edição, da editora holandesa Meulenhoff, destaca-se, sobretudo, pelo design gráfico da capa, que relembra o momento inicial do romance. Parado no seu carro no meio do trânsito, um homem espera pela luz verde do semáforo, quando se apercebe que ficou, inexplicavelmente, cego. Pela importante mensagem simbólica deste livro e da de Ensaio sobre a Lucidez, que retrata um outro tipo de cegueira - no caso deste segundo, uma cegueira cívica -, a editora publicou ainda uma edição conjunta dos dois romances, que consideram conter "uma mensagem urgente de José Saramago".

 

 

OS LUSÍADAS

DE LUÍS DE CAMÕES

Rússia

Considerada, frequentemente, a mais importante obra literária portuguesa, a epopeia de Luís de Camões, tem sido traduzida para diversas línguas. Logo em 1940, houve uma primeira tradução de Os Lusíadas para russo, contudo o tradutor morreu no cerco de Leninegrado pelos nazis, e esta nunca chegou a ver a luz do dia. Só mais de 70 anos depois, em 2014, a tradução de Mikhail Travtchetov foi publicada, tendo sido apresentada na sala da Biblioteca de Línguas Estrangeiras de Moscovo. Pela forma como os poemas foram recebidos pelo público presente no lançamento, foi prometido fazer chegar exemplares da obra épica às bibliotecas de outras regiões e cidades da Rússia, contribuíndo assim para que a história do povo português chegasse a ainda mais pessoas.

 

 

MANUAL DOS INQUISIDORES

DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Sérvia

Frequentemente apontado como um dos potenciais concorrentes ao Nobel da Literatura, António Lobo Antunes é uma das mais importantes figuras da literatura portuguesa. O seu estilo de escrita incomparável constitui um desafio para qualquer tradutor, contudo, esta edição de O Manual dos Inquisidores da editora sérvia Geopoetika, é um caso de sucesso. Em 2016, a tradutora Tamina Sop ganhou o prémio Milos Djuric pela tradução desta obra para sérvio, tendo sido a primeira vez, desde a crição do prémio em 1968, que um livro de literatura portuguesa venceu na categoria de prosa (depois da tradução de uma parte da obra de Fernando Pessoa, por Jasmina Neskovic, ter recebido o mesmo reconhecimento na categoria de poesia, nos anos 90). A obra sobre as transformações do pós-25 de Abril no seio de uma família com ligações ao antigo regime, ganha assim um novo público, levando o nome de Lobo Antunes a novos horizontes.

 

JERUSALÉM

DE GONÇALO M. TAVARES

Egito

Um dos mais importantes escritores portugueses da atualidade, Gonçalo M. Tavares, conta já com inúmeras traduções para diferentes línguas. Sobre este livro, que faz parte da tetralogia O Reino, disse o Nobel José Saramago: "Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!". Podemos apenas imaginar os desafios que apresentam uma tradução de Jerusalém para árabe, contudo a tradução de Ahmad Salah al-Din and Muhammad Amer deste romance, foi considerada umas das melhores do ano, pela publicação digital Arabic Literature. Este reconhecimento foi atribuído pela jornalista e escritora egípcia Mansoura Ez Eldin, que selecionou um conjunto de obras literárias traduzidas para árabe e publicadas no ano passado, tendo destacado a obra do autor português por se tratar de "um romance sobre a banalidade do mal e a facilidade da violência".

 

 

O RETORNO

DE DULCE MARIA CARDOSO

Reino Unido

Os livros de Dulce Maria Cardoso estão traduzidos em várias línguas e publicados em mais de duas dezenas de países. Há até quem considere, como o jornalista e editor Carlos Vaz Marques, que a sua obra tem encontrado "mais fortuna fora de Portugal, tanto em edições estrangeiras como na atribuição de um prémio europeu de literatura". Esta edição em inglês de O Retorno, uma das suas obras mais importantes, sobre a saga dos 600 mil portugueses que regressaram de África em situações dramáticas depois do 25 de Abril, foi publicada pela editora Quercus Publishing. A tradução, feita por Ángel Gurría Quintana, valeu-lhe a atribuição do prémio English Pen Translate Award, pela sua “extraordinária qualidade literária”.

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