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A cantiga é uma arma: sete músicas que mudaram o curso da história

Em 1973, José Mário Branco compôs A cantiga é uma arma. Começa assim: “A cantiga é uma arma / Eu não sabia / Tudo depende da bala / E da pontaria”. A palavra cantada pode mover multidões e, entre as linhas de cada partitura, há muitas mensagens que se podem passar. Embora seja impossível dar como certa a relação simbiótica entre a música de intervenção portuguesa e o 25 de Abril, é certo que as mensagens veiculadas por Zeca Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Fausto, entre outros, eram o espelho de um descontentamento que quebrava as fronteiras da música. E isso é e sempre foi verdade: em Portugal e no mundo, há melodias que não saem da memória coletiva e continuam a ser ecoadas por multidões em protesto.

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O 25 de Abril e a Revolução dos Cravos — nunca tanta gente decidiu tanto

Era uma vez um Homem, ou Quasi-Homem, que queria comer o fruto do alto duma árvore. Olhou, calculou a distância, decidiu que queria (ato consciente) comer o fruto e pensou em como fazer-se chegar lá. Começou por uma liana, que se partiu, refletiu sobre o peso, e pensou que podia produzir, com as próprias mãos, uns “degraus”, até que construiu uma escada. 

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“Havia uma energia no ar, um sentimento quase eufórico de liberdade”

Por acaso, foi no fatídico dia 11 de março de 1975. Calhou. Tinha desfeito a minha tenda na Alemanha e comprado, para essa data, a viagem para Portugal. Na mala, um projeto de tese de doutoramento sobre a resistência contra a ditadura do Estado Novo. Na altura, mal imaginava que nunca mais sairia de terras lusas, a não ser para ir buscar, de carro, os pertences que me faziam mais falta ou para, de longe a longe, visitar familiares e amigos. Dava os primeiros passos na língua portuguesa, conseguia entender relativamente bem os jornais (o meu latim de liceu ajudava…), mas comunicava em francês, até ao momento em que decidi que falaria, daí em diante, ainda que com limitações, apenas e só em português.

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Antes de 25 de abril de 1974, ler estes livros era revolucionário

Dizia o escritor Mário Dionísio que “sem cultura, não pode haver liberdade, mas só um perigoso simulacro”. Até à Revolução dos Cravos, as imposições ditatoriais queriam que Portugal fosse esse simulacro: a Cultura que não se vergava perante os critérios vigentes era censurada, perseguida, violentada até ser calada. A literatura tinha uma particularidade: a censura só agia depois da publicação. No caso de jornais, revistas, peças de teatro, filmes e programas de televisão, existia uma censura prévia, impossibilitando algumas delas de ver a luz do dia. Mas os agentes da PIDE não tinham capacidade para examinar todos os livros que saíam, por isso, ainda que fossem proibidos e apreendidos, havia sempre a possibilidade de alguns fazerem o seu caminho e serem lidos por alguém. Parte dos relatórios de censura foi perdida depois de, no dia 26 de abril de 1974, vários populares terem invadido a sede da polícia política em Lisboa.

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Maria Inácia Rezola: “É preciso trabalhar para manter o que foi conquistado com o 25 de abril.”

Costuma dizer-se que os historiadores só podem fazer História cinquenta anos após os acontecimentos. Esta é a situação do 25 de Abril? Mais do que passados cinquenta anos, penso que é sempre necessário deixar correr o tempo para que o que nós escrevamos e digamos sobre os acontecimentos não os vá alterar, ou seja, podemos e devemos refletir e escrever historicamente sobre acontecimentos, ciclos e processos que estão encerrados. Pode-se, por isso, comentar ou fazer trabalho jornalístico, mas, para se ter a perspetiva histórica, é sempre necessário existir algum distanciamento. Pode-se até contrapor que existe uma história do tempo presente, mas esta será sempre mais provisória do que a História é. No caso do 25 de Abril, como já passaram cinquenta anos, o ciclo está encerrado e tudo o que se diga ou escreva sobre esse momento não irá alterar a conclusão do processo.

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Depois de incendiar palcos, chega o livro de “Catarina e a beleza de matar fascistas”

Portugal, 2028. Com 117 deputados fascistas na Assembleia da República, a extrema-direita chegou ao poder e começou a retirar direitos às minorias e a restringir o acesso do povo à informação. Enquanto isso, no Sul de Portugal, uma família cumpre a sua tradição anual de matar um fascista por ano, vindicando todos aqueles que foram pessoalmente vitimizados pelo fascismo, até que este deixe de ser uma ameaça.

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“Escondiam-se livros proibidos atrás de prateleiras falsas”: a Bertrand no pré e pós-revolução

Fernando Oliveira era uma “criança” quando começou a trabalhar na Bertrand. A 21 de janeiro de 1973 — tem a data na ponta da língua — era tudo “completamente diferente do que é agora”. Cada ficha de cada livro era feita à mão e até se recorda de ir à estação buscar os livros novos, que vinham pelo correio. Tudo era feito naquela livraria Bertrand, na rua Sacadura Cabral, em Viana do Castelo: “o arquivo, a classificação, o contacto com os fornecedores, com alguns autores também”.

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Sérgio Godinho: “Muitas vezes, acho que o povo não é nada sábio."

Esta é a segunda parte da entrevista a Sérgio Godinho, publicada na Revista Somos Livros (edição Mês do Livro 2024).

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Sérgio Godinho: “Muitas vezes, acho que o povo não é nada sábio."

Sérgio Godinho viveu muitas vidas desde o 25 de Abril, pautadas por “muita música” e “muita mudança do regime democrático”. Tinha 20 anos quando deixou Portugal e foi para a Suíça estudar psicologia — o Porto sufocava-o porque precisava de “ter mundo”, mas garante que de psicologia pouco ou nada aprendeu. Não respondeu à chamada para a Guerra Colonial e partiu para outros voos. Trabalhou na cozinha de um barco e, em Paris, foi parte ativa das revoltas estudantis no Maio de 68. Sabia que, se não fosse a música, seria o teatro ou o cinema, e fez de tudo um pouco. Em Paris, fez parte do musical Hair, que retratava a Guerra do Vietname numa altura em que estava no seu “pico”. Em abril de 1974, estava em Vancouver a ensaiar para uma peça, mas rapidamente se mudou para Portugal porque era neste país plantado à beira-mar que tudo estava a acontecer. Passados 50 anos, continua a dar concertos e a gostar de subir ao palco. O “escritor de canções” abriu-nos a porta de sua casa, dias depois de ter lançado o seu terceiro romance Vida e Morte nas Cidades Geminadas, uma história de emigração, família, amor e identidade, que nasce de um “diálogo insólito […] do qual resulta a geminação de duas cidades”.

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