Nos 50 anos da revolução, muitos livros, para que não se esqueça do 25 de Abril

Por: João Céu e Silva a 2024-04-01

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25 de Abril de 1974, Quinta-feira
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25 de Abril, no Princípio Era o Verbo
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História(s) do Estado Novo
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Rumo à Revolução
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Antes do 25 de Abril: Era Proibido
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Portugal 50 Anos Depois do 25 Abril
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Emílio Rui Vilar
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Geração D
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Revolução
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A cantiga é uma arma: sete músicas que mudaram o curso da história

Em 1973, José Mário Branco compôs A cantiga é uma arma. Começa assim: “A cantiga é uma arma / Eu não sabia / Tudo depende da bala / E da pontaria”. A palavra cantada pode mover multidões e, entre as linhas de cada partitura, há muitas mensagens que se podem passar. Embora seja impossível dar como certa a relação simbiótica entre a música de intervenção portuguesa e o 25 de Abril, é certo que as mensagens veiculadas por Zeca Afonso, Sérgio Godinho, José Mário Branco, Fausto, entre outros, eram o espelho de um descontentamento que quebrava as fronteiras da música. E isso é e sempre foi verdade: em Portugal e no mundo, há melodias que não saem da memória coletiva e continuam a ser ecoadas por multidões em protesto.

O 25 de Abril e a Revolução dos Cravos — nunca tanta gente decidiu tanto

Era uma vez um Homem, ou Quasi-Homem, que queria comer o fruto do alto duma árvore. Olhou, calculou a distância, decidiu que queria (ato consciente) comer o fruto e pensou em como fazer-se chegar lá. Começou por uma liana, que se partiu, refletiu sobre o peso, e pensou que podia produzir, com as próprias mãos, uns “degraus”, até que construiu uma escada. 

“Havia uma energia no ar, um sentimento quase eufórico de liberdade”

Por acaso, foi no fatídico dia 11 de março de 1975. Calhou. Tinha desfeito a minha tenda na Alemanha e comprado, para essa data, a viagem para Portugal. Na mala, um projeto de tese de doutoramento sobre a resistência contra a ditadura do Estado Novo. Na altura, mal imaginava que nunca mais sairia de terras lusas, a não ser para ir buscar, de carro, os pertences que me faziam mais falta ou para, de longe a longe, visitar familiares e amigos. Dava os primeiros passos na língua portuguesa, conseguia entender relativamente bem os jornais (o meu latim de liceu ajudava…), mas comunicava em francês, até ao momento em que decidi que falaria, daí em diante, ainda que com limitações, apenas e só em português.

Ainda não foi desta vez que se escreveu a “bíblia” sobre o 25 de Abril, mesmo que seja o ano em que se comemora meio século sobre o golpe militar dos capitães em 1974. Uma ausência que não impediu a chegada às livrarias de vários e interessantes títulos sobre a Revolução cinquentenária e de muitas reedições de obras dedicadas a Abril, que nos próximos meses podem ser revisitadas ou lidas pela primeira vez.


É a fotografia que seduz os leitores

Há, neste ano de celebração, uma novidade no mercado editorial português que ganha um destaque nunca visto: a fotografia. Tanto assim que, um dos principais fotógrafos que registaram o dia 25 de Abril, Alfredo Cunha, reuniu sob vários formatos uma antologia das imagens que ficaram no imaginário de todos durante os cinquenta anos que se sucederam ao golpe e que desde o seu lançamento tem estado nos Top de vendas nacionais. O título da obra é 25 de Abril de 1974, Quinta-feira (Tinta-da-china) e tem na capa Salgueiro Maia, um dos ícones fundamentais do pronunciamento militar, na fotografia que o imortalizou naquela madrugada. A introduzir o registo fotográfico está o balanço do jornalista Luís Pedro Nunes e, a acompanhar as fotografias, estão três textos assinados por quem protagonizou muitos dos dias a seguir: o militar Carlos Matos Gomes, o jornalista Adelino Gomes, que fez a cobertura noticiosa durante os tempos que se seguiram, e o pós-Revolução, nas palavras do historiador Fernando Rosas.

A presença da arte da fotografia na memória do dia 25 de Abril não se fica por este volume, pois volta às livrarias um outro livro, Um Fotógrafo da Revolução (Editorial Caminho), com as imagens de Carlos Gil enquanto cronista ao minuto do que se passou entre o percurso dos militares desde o Terreiro do Paço, onde os militares revoltosos começaram a derrubar o regime, passando pelas ruas da Baixa de Lisboa, até chegarem ao Largo do Carmo, onde o poder foi entregue por Marcelo Caetano ao general Spínola. A fotografia ganhou ainda uma grande exposição, a Factum, do fotógrafo Eduardo Gageiro, que confirmou ser esta arte a grande referência da memória sobre Abril no cinquentenário da Revolução.

A imagem raramente deixa de estar presente na maioria dos livros publicados sobre a Revolução, como se pode observar na maioria das obras lançadas a propósito do 25 de Abril. Entre as reedições, está um livro que combina a fotografia com as ilustrações de época, o Era Uma Vez O 25 de Abril (Nuvem de Letras), de José Fanha, um álbum que, na última década, tem somado milhares de leitores em sucessivas edições. Profusamente ilustrado, é também o livro de Manuel S. Fonseca, com a colaboração de Nuno Saraiva, 25 de Abril, No Princípio Era o Verbo (Guerra & Paz), que recupera a memória dos slogans revolucionários mais famosos daquele tempo, bem como os momentos fundamentais da madrugada inicial.

Uma atenção especial foi dada aos tempos políticos de antes do 25 de Abril, em livros também sempre repletos de fotografias, como é o caso da reedição com novos capítulos sobre a Revolução em História(s) do Estado Novo (Clube do Autor), de Marcelo Teixeira. Este livro complementa o 1973 (Objectiva), de Tiago Beato, que refaz cronologicamente os acontecimentos do ano anterior à Revolução. Um percurso histórico investigado ainda num período mais curto e com bastante detalhe e análise em Rumo à Revolução — Os Meses Finais do Estado Novo (Guerra & Paz), em que José Matos e Zélia Oliveira analisam os momentos mais críticos da insatisfação contra o anterior regime e que indiciavam que alguma coisa estava para acontecer.

Também o historiador Fernando Rosas refaz esses momentos pré-Revolução, bem como o dia e os tempestuosos meses que se seguiram, numa coleção de escritos, que se divide entre o registo memorialista e o de investigador, intitulado Ensaios de Abril (Tinta-da-china). O registo de uma visão pessoal reencontra-se no relato 50 Anos de Abril no Algarve, no qual o jornalista Ramiro Santos encaminha o leitor pelos momentos revolucionários do dia 25 de Abril e dos que se seguiram, descrevendo comícios e ocupações do Verão Quente de 1975. Editado também pela Guerra & Paz, pode-se recordar o que Antes do 25 de Abril Era Proibido, uma lista do muito que não se podia fazer no Estado Novo, como beber Coca-Cola.


A história e as histórias

Em Do 25 de Abril de 1974 ao 25 de Novembro de 1975 — Os episódios menos conhecidos (Temas e Debates), são contados, por Irene Flunser Pimentel, um livro em que a investigadora parte de um facto indiscutível, a extinção da ditadura de Salazar e de Caetano, para as várias interpretações dos eventos que se seguiram. Já a edição de 25 de Abril — A Transformação nos “Media” (Tinta-da-china) vem traçar o panorama das muitas alterações verificadas na imprensa portuguesa e no modo de informar em função da Revolução. De outros historiadores, surgem também outras análises sobre a data: é o caso do biógrafo de Salazar, Yves Léonard, com a sua Breve História do 25 de Abril, e um novo foco sobre um dos protagonistas do pós-Revolução no livro Mário Soares e o 25 de Abril — O Essencial (ambos Edições 70), em que David Castaño faz coincidir a comemoração dos 50 anos com a do centenário do nascimento do político socialista. Portugal 50 Anos Depois do 25 de Abril (Manuscrito) é mais um título em que vários investigadores, coordenados por João Gouveia Monteiro, fazem um retrato das últimas cinco décadas. Entre os vários contributos, estão análises de Manuela Cruzeiro, Helena Roseta, Joaquim Furtado e André Barata.

Se há autores mais envolvidos emocionalmente com o golpe militar, o jornalista João Pedro Henriques opta por fazer um balanço despojado em Revolução Inacabada: O Que Não Mudou Com O 25 de Abril (Fundação Francisco Manuel dos Santos), analisando duas das características da sociedade portuguesa que cinco décadas de democracia não alteraram: o elitismo na política e o machismo na justiça. No âmbito dos depoimentos, uma das boas novidades é Emílio Rui Vilar — Memórias de Dois Regimes (Temas e Debates), do trio de entrevistadores António Araújo, Maria Inácia Rezola e Pedro Magalhães, que refazem o seu percurso pelo fim do regime anterior e em democracia. A biografia de Francisco Lucas Pires, O Príncipe da Democracia (D. Quixote), de Nuno Gonçalo Poças, é outra das mais recentes investigações sobre os principais membros que contribuíram para a afirmação da direita liberal em Portugal no pós-25 de Abril. Entre os Capitães de Abril, Carlos Matos Gomes publicou Geração D (Porto Editora), no qual faz a narrativa sobre os jovens portugueses que se confrontaram com a ditadura e com a guerra em África e foram obrigados ao exílio ou a aceitar o regime e o serviço militar.

Os leitores interessados na perspetiva de um olhar diferente e vindo de fora não foram esquecidos e a Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril tem estado a publicar na Edições Tinta-da-china vários volumes fundamentais para uma interpretação histórica daqueles tempos, numa coleção coordenada pelo historiador António Costa Pinto. É o caso da obra do cientista político norte-americano Lawrence S. Graham, de quem foram traduzidas duas obras: As Forças Armadas Portuguesas e o Estado e, em colaboração com Douglas L. Wheeler, Em Busca do Portugal Contemporâneo — A Revolução e as suas consequências. De autoria de Robert M. Fishman, pode ler-se Prática Democrática E Inclusão Política — Origens da Clivagem Ibérica, bem como Contenção e Transgressão, de Rafael Durán Muñoz, que analisa as transições espanhola e portuguesa, e Vozes da Revolução Portuguesa — Revisitando o 25 de Abril de 1974, de Paul Christopher Manuel.


Uma palavra à ficção

A Revolução dos Cravos não pode ser lida apenas através dos livros de investigação, daí que alguns autores se tenham dedicado ao género da ficção literária para evocar a data. É o caso de dois romances: Revolução (Companhia das Letras), de Hugo Gonçalves e de Alvorada Desfeita — E Se o 25 de Abril Tivesse Falhado? (Casa das Letras), de Diogo de Andrade. O primeiro conta a história da família Storm durante o desmoronar da Ditadura e o segundo romanceia uma história alternativa à vitória do golpe militar. Em boa hora, vai acontecer também a reedição do romance Os Memoráveis (D. Quixote), da escritora Lídia Jorge, uma das mais perfeitas e inteligentes recriações do ajuste de contas entre a História e os protagonistas da Revolução de Abril. É o caso do livro de outra autora, Maria Velho da Costa, que retratou em Cravo (Assírio & Alvim) o impacto da Revolução nas mulheres, nos escritores e no país, num conjunto de 22 textos que reúnem géneros tão diversos como a crónica, o manifesto e o ensaio. Outra reedição especial, num género pouco editado neste cinquentenário, o da poesia, é o livro A Praça da Canção (D. Quixote), que deu a conhecer o poeta Manuel Alegre e a sua luta contra o regime, sendo que de alguns destes poemas foram compostas importantes canções de protesto.

 

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