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Elfriede Jelinek

PREMIO NOBEL DA LITERATURA 2004

Elfriede Jelinek, de origem austríaca, marcou o panorama teatral e literário germânico e europeu do fim do século XX como nenhuma outra autora. Eminentemente política e feminista, ao mesmo tempo, soube forjar uma linguagem muito própria que utiliza como arma artística e estética contra os males e vícios das sociedades modernas - a exclusão das diferenças, os abusos de poder, os pesos sociais que asfixiam, esmagam e destroem.

Elfriede Jelinek inscreve-se na tradição literária austríaca junto de grandes e polémicos autores, tais como Karl Kraus e Thomas Bernhard. Tal como eles foi considerada pornográfica e traidora da pátria, tendo recebido ameaças e visto o seu nome arrastado para a lama. Autora mais do que reconhecida, galardoada com múltiplos prémios literários, não deixou, no entanto, de ser marginalizada. Considerada "degenerada" por parte da sociedade austríaca - supostamente a extrema direita - a condenação recai sobre toda a sua obra, tanto no teatro como na literatura.

Apesar de tudo isto (ou, exactamente por tudo isto) a escritora foi laureada com o prémio Nobel da Literatura 2004, tendo o comunicado da Academia Sueca destacado "o fluxo musical das vozes e contra-vozes presente nos romances e peças" da autora, que com "extraordinário zelo linguístico", revelam o "absurdo dos clichés da sociedade".

Nascida a 20 de Outubro de 1946 na cidade de Murzzuschlag, na província austríaca de Styria, Elfriede Jelinek é filha de uma mestiçagem cultural e religiosa: a mãe era uma austríaca católica, pertencente a uma família da alta burguesia vienense; o pai, engenheiro químico e autodidacta , era um judeu de origem checa oriundo de um meio pobre, mas culto. Trabalhou em produção industrial estratégica durante a Segunda Guerra Mundial, conseguindo com isso escapar à perseguição nazi.

Predestinada pela mãe a transformar-se num génio da música, ingressa em 1950 no jardim de infância de uma instituição religiosa, em Viena, onde, a partir dos 4 anos, estuda ballet e francês. É muito cedo submetida a pressões cada vez mais fortes: a partir dos 7 anos a mãe obriga-a a frequentar aulas de piano, alto e violino, para além dos estudos habituais na escola primária. Aos 16 anos entra para o Conservatório de Música de Viena. Ingressou igualmente na Universidade de Viena para estudar Teatro e História da Arte. Por fim, esgotada, acaba por adoecer e enfrentar uma grave crise psicológica.

Asfixiada pelo domínio materno, revolta-se contra a autoridade e direcciona a sua atenção para as palavras e a linguagem, uma área descurada pela a mãe, mas estimulada pelo pai. A autora afirmaria mais tarde: "O meu pai estava praticamente ausente. Não gostava muito dele. Mas encorajou-me a afirmar-me através da linguagem e a servir-me dela contra os adultos. A fé no poder das palavras é uma característica da cultura judaica. Pergunto-me se, ao seguir o exemplo do meu pai, ao servir-me da linguagem em vez de mergulhar na música, como queria a minha mãe, não terei procurado salvá-lo dela e salvar-me a mim também. Não quero dizer que ela seja totalmente negativa: é muito inteligente, poderosa, impressionante. Sem ela o meu pai não teria sobrevivido". O pai de Elfriede Jelinek tem um fim dramático: morre enlouquecido, em 1968, num hospital psiquiátrico.

A partir do final dos anos 60 Elfriede Jelinek publica os seus primeiros textos e poemas, escreve para a rádio e recebe os seus primeiros prémios literários. Em 1970 surge o seu primeiro romance, "wir sind lockvogel baby!". É também no início da década de 70 que se casa com Gottfried Hungsberg, passando a viver entre Viena e Munique. Das suas novelas destacam-se "Die Liebhaberinnen" (1975), "Die Ausgesperrten" (1980) e "Die Klavierspielerin (1983, "A Pianista"), uma autobiografia que esteve na origem do filme de Michael Haneke, em 2001. Descrição alucinante das relações infernais entre mãe e filha, analisa de forma impiedosa a despersonalização de uma mulher em nome da música. Um romance perturbante e escandaloso. Não menos escandaloso foi o seu romance seguinte, "Lust", que surge em 1989. "Lust" é ao mesmo tempo o desejo, o gozo, o prazer, "o livro que sempre quis escrever", afirmaria a autora. Um texto pornográfico feminino, uma espécie de anti-história inspirada em George Bataille e Sade.

Tradução livre e adaptação de texto publicado em Lespetitsruisseaux.com.

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